sexta-feira, setembro 28, 2012

Banco Central reduz a 1,6% projeção de crescimento do PIB em 2012.Ufa, ainda bem que o ano já está acabando


Célia Froufe e Eduardo Cucolo
Agência Estado

Estimativa se aproxima do patamar de 1,5%, que já foi considerado ‘uma piada’ pelo ministro da Fazenda; BC também aumentou projeção de inflação de 4,7% para 5,2%

BRASÍLIA - O Banco Central (BC) revisou nesta quinta-feira sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, de 2,5% para 1,6%, segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado pela autoridade monetária.

O porcentual está muito próximo da estimativa de 1,5% de expansão para o PIB deste ano por uma instituição financeira internacional, que foi considerada, na ocasião, "uma piada" pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Inflação
No mesmo relatório, o BC elevou sua projeção para o IPCA de 2012 de 4,7% para 5,2% no cenário de referência. A nova estimativa é 0,5 ponto porcentual maior do que a vista no documento divulgado em junho.

Com essa nova perspectiva, a inflação deste ano deve ficar mais distante da meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A probabilidade de que a inflação ultrapasse o limite superior do intervalo de tolerância da meta deste ano está em 3%, segundo o BC. Esse patamar de inflação em 5,2% deve ser visto já no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre do ano. O cenário de referência leva em consideração que a Selic será mantida em 7,5% ao ano e que o dólar permanecerá cotado em R$ 2,05.

Já para o fim de 2013, o BC decidiu reduzir sua expectativa dentro do cenário de referência, de 5% para 4,9%. De acordo com o documento, a probabilidade de que a inflação ultrapasse o limite superior do intervalo de tolerância da meta para o período, também de 4,5%, está em torno de 13%. Para o primeiro trimestre do ano que vem, o IPCA acumulado em 12 meses é esperado em 5,2%, reduzindo-se para 5,1% no segundo trimestre e para 4,6% no terceiro.

A chance de estouro do teto da meta em 2013 caiu de 18% para em torno de 13%. Para 2012, segue em 3% no cenário de referência.

Para 2014, a expectativa do BC é a de que a inflação acumulada em 12 meses atinja 5,2% no primeiro trimestre daquele ano e ceda para 5,1% no segundo e no terceiro trimestres.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O final de ano está próximo. Ainda bem. No ritmo que a coisa ia, chegaria o momento em que, em nova revisão do crescimento do PIB, ele acabaria negativo.  

Já há algum tempo que a equipe econômica sabia que o país não conseguiria emplacar sequer 2,0% de crescimento. Desde julho, o discurso tem sido apostar todas as fichas para 2013. 

Fosse apenas isso, ainda se contemporizaria as dificuldades de 2012. A questão é: como se comportará a economia, e falo do PIB, em um ano que já se sabe que a inflação vai se manter relativamente alta para tempos de crescimento baixo?  Apenas para lembrar, o IPCA, nos últimos anos tem se comportado sempre acima da meta de inflação. Considerado este aspecto, é evidente que os aumentos salariais acabam se depreciando mais rapidamente. E um registro importante: a inflação brasileira só não é maior porque estamos importando deflação. Os importados, hoje, representam 25% do consumo das famílias.  O que se observa é que o governo Dilma como que abandonou sua preocupação em regular esta inflação no centro da meta. Entende que este é um sacrifício – tolerar um pouco de inflação mais alta – necessária ao desenvolvimento. Porém, tal presunção não se realiza. Este será o segundo ano seguido de crescimento abaixo até de alguns países em crise.  Portanto, seja pelo diagnóstico seja pelas ferramentas empregadas, alguma coisa insiste em se manter fora do lugar. 

E uma última observação: a preocupação central do governo, até pelas medidas que tem adotado, é de aumentar, a qualquer custo, o consumo interno. Ocorre que, inflação corroendo salários num país de crescimento baixo, não se encontra meios deste consumo interno aumentar. A retração em 2012 provocada pelo endividamento sequer foi superada. Assim, sem substancial crescimento econômico capaz de elevar a massa salarial, capaz de absorver as limitações impostas pelo endividamento, e também abrir caminho para que o consumo retome os níveis verificados em 2010 e 2011, sobretudo em 2010, por mais fichas que o governo aposte e incentive que adote para ampliar o crédito,  ficamos engessados. Daí porque a importância dos investimentos públicos na infraestrutura que poderiam ampliar não apenas a competitividade da indústria brasileira, mas também impulsionariam o mercado interno ofertando mais renda. Se a capacidade de investimento público se encontra travada, como temos informado, a saída seria atrair investimento privado. Mas com regras dúbias que elevam o risco, afora a insistência - e teimosia - em obrigar a parceria do Estado inclusive na gestão dos empreendimentos, o investidor privado acaba se desinteressando. Ou o governo Dilma melhora o ambiente de negócios, ou o país continuará neste passo lento e ficando para trás em relação aos demais emergentes.