sexta-feira, setembro 28, 2012

Depois de inventar a classe média miserável, o economista Marcelo Neri já começa a fazer milagres no Ipea


Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

“O PIB não é importante…”

Mal assumiu a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Marcelo Neri, aquele que inventou uma nova classe média com renda de míseros R$ 291 por mês, começa agora a fazer novos milagres econômicos. O primeiro deles é anunciar que os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE confirmam que a primeira década do século 21 no Brasil foi “inclusiva” do ponto de vista social, com “robusta diminuição da desigualdade e redução da pobreza”.

 “O Brasil está hoje no menor nível de desigualdade da história documentada”, disse Neri, entusiasmado,  ao jornalista Gilberto Costa, da Agência Brasil. Segundo ele, o índice de Gini (indicador que mede a desigualdade) foi 0,527 em 2011 – o menor desde 1960 (0,535), o que demonstraria uma redução da desigualdade social.

Acontece que a análise do Ipea mostra que a renda está crescendo nos setores econômicos que contratam mão de obra de forma precária e agregam pouco valor à economia, como a agricultura (86%) e as atividades domésticas (62,4%). Mas isso não interessa a Neri.

Outro dado preocupante é que cerca de 35% da diminuição da desigualdade se devem aos repasses feitos pelo governo (além do Bolsa Família, aposentadorias, pensões e benefícios de prestação continuada, que são transferências sujeitas à política fiscal e podem sofrer restrições para que as contas públicas tenham superávit). E isso também não interessa a Neri.

PROFESSOR PANGLOSS
Na verdade, Marcelo Neri se comporta como uma espécie de Professor Pangloss (personagem otimista de Voltaire, que julgava “viver no melhor dos mundos”). Ele diz que a redução da desigualdade tem a ver com o crescimento da renda per capita. E alega que, entre 2001 e 2011, “o aumento real da renda dos 10% mais pobres foi 91,2%, enquanto os 10% mais ricos, tiveram crescimento de 16,6%”, esquecido de que um grande aumento sobre quase nada continua sendo quase nada, enquanto um pequeno aumento sobre muito acaba significando muito.

A teoria panglossiana desenvolvida pelo criativo economista traz uma grande novidade em termos mundiais, porque ele não vê maior importância no desempenho das contas nacionais, medidas pelo Produto Interno Bruto – PIB. Na opinião de Neri, é muito mais importante levar em conta a melhoria da renda na base da pirâmide. E alega que, desde 2003, a Pnad aponta que a economia brasileira cresceu 40,7% (acumulado), enquanto a taxa do PIB foi 27,7% (acumulado).

O primeiro dado mede a situação dos domicílios, sem levar em consideração o endividamento recorde e a crescente inadimplência, enquanto o segundo indicador faz o somatório da riqueza produzida no país, pelo PIB.

MAIS IMPORTANTE
“O que é mais importante?”, pergunta Neri, ao avaliar que apesar dos “colegas macroeconomistas não estarem muito satisfeitos, mas quando a gente olha para o bolso das pessoas nota-se um crescimento chinês na base”.

Conclusão: é genial! Ou melhor, é bestial! – como dizem os portugueses. Esse economista merece o Prêmio Nobel. Não é possível que suas revolucionárias teorias não estejam despertando pelo menos a curiosidade da Academia Real das Ciências da Suécia.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Impossível não reconhecer que o senhor Marcelo Nery é um pândego. Seu olhar sobre o Brasil chega ser hilariante.

Tenta criar um mundo fantasioso, do qual o Brasil está distante. 

Pena que sua fantasia não condiz com a realidade. Mas para ele isto pouco importa. O importante é continuar vendendo suas fantasias e ficções, mesmo que ninguém acredite nelas, à exceção, é claro, dele próprio e a soberana que o premiou, colocando-o no IPEA, sua taxa de sucesso pela cretinice.  

 Afirmar que o PIB não é importante só pode ser delírio puro. Como ele imagina que se produz o dim-dim que cai no bolso do povo, sem crescimento?  

Menos, Nery, menos...