sexta-feira, setembro 28, 2012

Argentina: enquanto estatiza dois terços da televisão, governo de Cristina Kirchner mente sobre a economia


Ricardo Setti
Veja online


Mal acabava de aplicar um duríssimo golpe na liberdade de imprensa e na democracia ao virtualmente estatizar dois terços das emissoras de TV na Argentina e o governo da presidente Cristina Kirchner divulgou dados francamente fantasiosos — alguns deles, pura e simples mentira — sobre a economia do país.

O projeto do orçamento para 2013 prevê uma inflação de 10,8% — quando até o Obelisco do centro de Buenos Aires sabe que a inflação real, medida por empresas de consultoria, associações de defesa do consumidor, institutos de economia independentes e até por organismos ligados aos sindicatos, tradicionais aliados do peronismo de Cristina sabem que o índice atual JÁ É de 25%, caminhando para explodir.

Tanto é verdade que, em julho passado, a revista britânica The Economist, uma das bíblias do capitalismo e baluarte de credibilidade em matéria de informações, informou que não mais publicaria os dados oficiais de inflação da Argentina por não serem confiáveis. Organismos internacionais igualmente relutam em utilizar os dados oficiais do governo Kirchner para suas projeções.

Outros delírios manifestados pelo Ministério da Economia do governo argentino incluem uma previsão da cotação do dólar em 5,10 pesos — quando qualquer turista que dê um pulo no país para compras sabe que, no mercado paralelo, a moeda americana vale no mínimo 6,30 pesos, AGORA.

Pouca gente acredita que o PIB do país cresça os 4,4% projetados — diante de uma situação de incerteza jurídica, fuga de capitais, explosão de gastos públicos, aumento brutal das importações e outros sinais de alarme.

Na verdade, talvez toda a barulheira contra o grupo de mídia Clarín e outros atos demagógicos do governo da presidente certamente, como a recolocação na mesa da questão das Ilhas Malvinas/Falklands — cuja soberania a Argentina reivindica ao Reino Unido — têm como evidente objetivo distrair a opinião pública da cada vez mais preocupante realidade da ecomia, que, diga-se de passagem, nada ilustra melhor do que o fato de que o grande país vizinho acaba de perder o posto de terceiro maior Produto Interno Bruto da América Latina – após Brasil e México –, que mantinha há décadas, para a Colômbia: 362 bilhões de dólares para a Colômbia, 347 bilhões para a Argentina.