Adelson Elias Vasconcellos
Está certo que o ministro Joaquim Barbosa tem estopim curto; está certo que o ministro é chegado numa quebração de barraco quando se vê contrariado em seu voto ou em suas teses por outro colega; está certo que o ministro relator da Ação Penal 470 ou popularmente conhecida por Mensalão nestes momentos acaba avançando o sinal; tudo isto está certo.
Mas é certo afirmar que Lewandowski, desde o princípio, antes até de serem iniciadas as sessões do julgamento, tudo faz para retardar o andamento dos trabalhos; no plenário, suas manifestações atingem, muitas vezes, as raias da ignorância por um lado, e da pura estupidez, por outro. Vê-se um ministro a quem apenas caberia revisar o voto do relator, e contudo, tenta fazer um contraponto descabido. Mesmo quando concorda, fica horas a fio marcando passo, sem sair do lugar, apenas na tentativa estúpida de alongar o mais que puder sua presença e, o pior, empurrar para a frente o julgamento. É certo também inferir que seu esforço sempre foi no sentido de evitar que o núcleo político onde se encontram os petistas, pudessem ser julgados e condenados antes das eleições.
Em seus argumentos, também é mais certo concluir, ainda, que se comporta não como ministro do STF a quem cabe se pronunciar sobre fatos e pessoas em confronto com as leis. Faz leituras enviesadas, distorce os fatos e o entendimento geral, e de suas atitudes transparece o espírito de advogado de defesa, não a de ministro julgador.
Portanto, e já ao tempo em que presidiu o TSE, é visível o quanto o senhor Lewandowski é despreparado para o cargo. Ali está por apadrinhamento não tanto de quem o nomeou, e sim por pressões caseiras e familiares que levaram em conta muito mais a amizade e afinidade pessoal, do que o interesse do próprio país.
É por isso que temo outras nomeações que venham a ser feitas. Dias Toffoli está prestes a votar contra aqueles a quem um dia defendeu. Seu primeiros votos se classificam na seara da infantilidade, do amadorismo, do despreparo. Chegaremos ao ponto mais nevrálgico de todo o julgamento, quando os réus Dirceu e Genoíno serão julgados. De Lewandowski não espero nada. Não me surpreenderia que livrasse Dirceu. Já Genoíno, que assinou os contratos de empréstimos fajutos, será difícil escapar. Mas e Dias Toffoli?
É a partir do comportamento destes dois que saberemos se a pressão subterrânea que os petistas moveram contra o STF, contra o julgamento, contra as provas, perícias e testemunhos terá produzido os resultados que os criminosos tanto esperam. E será este o exato instante que o STF poderá mudar a história do país. Ignorar a ação entre amigos de Toffoli e Lewandowski em favor dos mensaleiros petistas, ou mostrar que há juízes de verdade em Brasília.
Picadinho da revisão
O voto dado hoje pelo ministro Luiz Fux, que o leitor poderá encontrar resumo bem apanhado na imprensa, fez picadinho dos argumentos do senhor Lewandowski para livrar os réus da acusação de lavagem de dinheiro. O ministro foi soberbo em destruir ponto a ponto do revisor-defensor dos réus. É assim que se faz a grandeza de um tribunal superior. Não olha para o que o réu é ou deixou de ser, mas sim para os atos que infringiram as leis do país e, com base nestas leis julga para condenar ou absolver.
Também é de se ressaltar as posturas da ministra Carmem Lúcia. Não perde tempo em repetir o que já foi dito e repetido. Resume seu voto ao essencial sem deixar de justificá-lo de maneira a ser entendido e acolhido. Pena que nem todos sigam o exemplo. Haverá menos perda inútil de tempo.
Sugestão ao mensaleiros e petistas
Observando cada palavra proferida pelos ministros do STF, tenho constatado uma certa indignação aos ataques que lhe estão sendo desferidos por mensaleiros e, principalmente, pelos petistas. Estes sabem que os mensaleiros petistas em julgamento serão, inapelavelmente, condenados não porque seja este um tribunal de exceção, mas porque há provas suficientes para tanto.
Todo o processo está coberto por provas indiscutíveis, sejam elas periciais, testemunhais e documentais.
Como se ali se encontram pessoas cuja imensa maioria sabe da sua imensa responsabilidade perante à sociedade, e para a sustentação das instituições e do estado de direito, quanto mais agressões, maior tende a ser o rigor com que cada um será julgado, e mais dura também será a resposta que do STF emanará.
Entendo que tais agressões sejam muito mais uma justificativa cafajeste, mas inútil, de se apresentarem perante a opinião pública, do que uma busca infrutífera de impunidade. Daí que se acuse e se agrida de modo veemente a imprensa que apenas noticia e informa.
Há um velho ditado entre nós que muito bem se encaixa no caso: o bom cabrito não berra, chia. Portanto, manda a boa prudência, que este tiroteio seja posto de lado. Quanto mais baterem, mais serão batidos. Aliás, tem sido muito mais a sua gritaria do que o noticiário e as manchetes da imprensa, que tem servido para propagar o julgamento, as acusações, os réus que estão sendo julgados e os envolvimentos de cada um no maior escândalo político da história. Se gritassem menos, provavelmente, o caso teria menor repercussão.
Então, como bons cabritos, meus caros, gritem menos...