quinta-feira, setembro 27, 2012

Com crise no Itaquerão, Brasília pode abrir a copa


Realle Palazzo-Martini
Goiás247

Sem garantias financeiras para continuar a construção, empreiteira Odebrecht, que já colocou R$ 250 milhões do próprio bolso, ameaça paralisar as obras. 

Governador paulista Geraldo Alckmin também se recusa a bancar aluguel dos 20 mil assentos extras que garantiria o mínimo necessário de cadeiras para estádio abrir o torneio. 

As muitas incertezas recolocam Estádio Nacional Mané Garrincha no páreo para sediar o jogo inicial do Mundial de 2014. Com 72% das obras já finalizadas, arena brasiliense será entregue em dezembro


A possibilidade real de paralisação nas obras do Itaquerão em São Paulo faz a Fifa considerar seriamente a transferência da abertura da Copa do Mundo de 2014 para o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, cuja execução já ultrapassou os 72%. Com promessas de verbas do BNDES e de incentivos fiscais da Prefeitura de São Paulo, o Itaquerão só saiu do papel devido a um empréstimo de R$ 250 milhões feito pela empreiteira Odebrecht. Mas esse dinheiro acaba neste setembro e a construtora já avisou que não tem como continuar tocando o estádio.

A diretoria do time de Parque São Jorge tentou negar a crise, mas não consegue esconder o clima de preocupação sobre o financiamento do Itaquerão, que ainda não teve liberados os R$ 400 milhões do BNDES e nem sequer os tão polêmicos incentivos fiscais da prefeitura paulistana. O BNDES estaria exigindo garantias que a construtora não possui. Para piorar, o financiamento público da arena corintiana é alvo de investigação pelo Ministério Público.

Mas esses não são os únicos problemas. No Estadão desta quarta-feira, a colunista Sônia Racy elenca mais uma pendência. O governador Geraldo Alckmin se recusa a bancar o aluguel de 20 mil lugares extras em arquibancadas do futuro estádio corintiano. Alckmin desistiu diante da pesada conta de R$ 70 milhões. Sem as 20 mil cadeiras removíveis, o Itaquerão terá capacidade para apenas 48 mil torcedores. Para abrir a copa, o mínimo exigido pela Fifa são 60 mil assentos. Além disso, os dividendos políticos da abertura do torneio vai cair diretamente no colo do ex-presidente Lula, articulador da arena do Timão, o que não interessa nem um pouco ao governador do PSDB.

Diante da crise, o agora diretor de seleções da CBF, o ex-presidente Andres Sanchez, que ainda é tido dentro do Corinthians como o responsável do clube para tratar dos assuntos relativos ao Itaquerão, chegou a ameaçar a Odebrecht, segundo a Coluna Radar da revista Veja. Mas recuou, porém, ao ser confrontado com a gravidade da situação. Há cerca de 15 dias o cartola participou de reunião com membros da empreiteira para discutir o financiamento do estádio. Junto com ele estavam Mario Gobbi, o presidente corintiano, Luis Paulo Rosenberg, vice, e Ivan Marques, diretor de marketing.

A solução encontrada foi reconvocar Lula para tentar conseguir as garantias financeiras para a continuidade da obra. Mas não se sabe se o ex-presidente de fato entrará nessa bola dividida. É que Brasília, do petista Agnelo Queiroz, vê no problema da arena de Itaquera uma oportunidade para se reposicionar na briga para sediar o jogo inicial da Copa de 14. O estádio Mané Garrincha já está confirmado como sede da abertura da Copa das Confederações em 2013.

Apreensão
A crise no Itaquerão deixa a direção da Fifa apreensiva. A lupa do Ministério Público e as indefinições sobre a chegada dos recursos para a construção do estádio que vai abrir a Copa a menos de dois anos do evento geram inquietações. Já existe um movimento dentro da entidade para que o novo palco do jogo inicial do torneio seja o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

Em oposição aos muitos problemas do Itaquerão, as obras do Mané seguem a todo vapor. São as mais adiantadas do Brasil, com 72% já concluídas. A arquibancada superior foi finalizada no último sábado (20). O setor comportará 39.050 pessoas. O estádio terá capacidade para 71 mil lugares, bem mais do que os 60 mil necessários para o jogo inaugural. A previsão é que a estádio seja entregue em dezembro, informou o governo do Distrito Federal.

Segundo o GDF, além da arquibancada superior, os setores inferior e intermediário já estão finalizados. A laje que cobre o segundo pavimento da obra também foi concluída, assim como os 288 pilares que rodeiam o estádio. Ainda resta a finalização da concretagem da arena.

O novo Mané Garrincha também é considerado uma referência mundial em sustentabilidade. Um reservatório de água da chuva será usado para irrigar o gramado e fazer a limpeza geral do espaço. A arena ecológica ainda vai ter estrutura para captar energia solar e ser autossustentável, com a geração de 2,5 megawatts, energia suficiente para abastecer mil residências por dia. O projeto do Estádio Nacional de Brasília pode ser a primeira arena de futebol do mundo a receber o certificado máximo de sustentabilidade, o selo Leed Platinum. 

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O texto tenta insinuar um interesse político que não existe. Na verdade, o tal interesse político vai na contramão do que insinua-se acima. A história começou mal, a partir de pressões do governo federal, que não quereria o Morumbi, e viu na Copa do Mundo a oportunidade de presentear o Corinthians com um estádio novo e moderno, a custo praticamente zero. Aliás, desde o princípio, está mais do que visto que o clube, sozinho, não tinha condições de bancar sozinho o empreendimento.

Agora, diante das exigências do BNDES - lembre-se que o BNDES - está o sob o guarda chuva petista -  se tenta desvirtuar a história para colocar a culpa no colo do governo paulista. 

Qualquer governante sério e responsável, não se submete a interesses periféricos, da baixa política, fazendo-se de cego, ignorando leis e regras da boa gestão.

Não fosse a proximidade das eleições, e nada disso estaria sendo jogado nas manchetes. Volte-se no tempo, quando ainda se discutia a reforma do Morumbi, e toda a enorme pressão que se fez naquela época,  e encontraremos as verdadeiras causas deste imbróglio todo. Do jeito torto que começou, esta história não poderia mesmo ter um final feliz.  

O Blog s´ó decidiu pela reprodução do texto, em razão de que é notícia uma provável substituição do Itaquerão pelo Estádio Mané Garrincha, porque as insinuações não passam de lixo puro, aquele velho jogo de bastidores que alguns "chapa-branca" adoram plantar para desviar a opinião pública da real verdade dos fatos.   

Tanto é assim, que o projeto do Itaquerão sequer atendia à capacidade mínima exigida pelo caderno de encargos da FIFA. A quantidade de assentos que faltava seria atendida pelos famosos puxadinhos de que o governo petista é especialista, e que encerrada a Copa seriam imediatamente retirados..