terça-feira, setembro 11, 2012

Como a Rio-2016 viu Londres-2012 (e o que deverá imitar)


Pollyane Lima e Silva
Veja online

Time formado por mais de cem observadores elencou aspectos bem-sucedidos dos Jogos na capital britânica - e indicou quais os exemplos a seguir no Brasil

 (Gareth Copley/Getty Images) 
Performance durante cerimônia de abertura 
das Paralimpíadas em Londres, em 29/08/2012

"Apesar dos imprevistos que acontecem num evento dessa dimensão, os organizadores de Londres tiveram a flexibilidade e agilidade necessárias para corrigir os problemas", elogiou a EOM

A quatro anos da Olimpíada de 2016, a preocupação dos organizadores dos Jogos do Rio de Janeiro está centrada nas grandes obras de infraestrutura da cidade, como a construção do Parque Olímpico, os projetos das futuras arenas esportivas, as melhorias no sistema de transporte público e a ampliação da rede hoteleira. Alguns pequenos detalhes, no entanto, podem fazer uma enorme diferença no evento. E esses aspectos já vinham sendo planejados antes mesmo do início dos Jogos de Londres, neste ano. Para isso, o Rio enviou à capital britânica uma equipe de observadores cuja missão era colher bons exemplos de como fazer a competição transcorrer de forma tranquila e eficiente. Os 'olheiros' fizeram uma centena de visitas ao país antes e durante a Olimpíada, observando instalações esportivas, o acesso de deficientes, a sinalização para os visitantes, como foi organizado o trabalho dos voluntários, o sistema de transporte e até a programação cultural pararela aos Jogos.

O raciocínio é: o que é bom pode (e deve) ser imitado, e os erros não podem se repetir daqui a quatro anos. No quesito segurança, por exemplo, o projeto inicial de Londres fracassou e foi preciso acionar um plano B – que havia sido cuidadosamente desenvolvido. "Apesar dos imprevistos naturais que acontecem num evento da dimensão dos Jogos Olímpicos, os organizadores de Londres-2012 tiveram a flexibilidade e agilidade necessárias para ajustar e corrigir os problemas, assegurando o sucesso", observa a Empresa Olímpica Municipal (EOM). Os obsevadores listaram nove quesitos apontados como grandes êxitos de Londres, apontando esses aspectos da organização como exemplos que podem ser importados para o Rio. "Esses itens servirão como base na organização dos Jogos de 2016", enfatiza a EOM, levando em consideração, é claro, a especificidade de cada cidade e possíveis adaptações dessas ideias. 

Os exemplos de Londres 2012 para o Rio 2016


Alternativas para o trânsito


Londres apresentou excelente gerenciamento de transporte e fluxo de multidões. A cidade, que já é reconhecida por ter um dos serviços de transporte mais completos do mundo, desenvolveu uma campanha específica para evitar transtornos no trânsito. Além de aumentar a capacidade do transporte público para atender à grande demanda, a organização dos Jogos incentivou os moradores a trabalhar em horários alternativos ou em casa e a tirar férias durante o período.

Plano B para a segurança


Primeiro, um fracasso: a empresa privada contratada para a segurança dos Jogos não entregou o prometido dias antes do evento. Depois, a arte de contornar uma crise: o governo britânico colocou em prática o plano B, disponibilizando grande contingente de militares. Havia seguranças a postos em todo o centro de Londres e dentro das instalações. Bem preparados, os militares também auxiliaram turistas e espectadores nas ruas. Além disso, 6.000 câmeras foram instaladas dentro e no entorno do Parque Olímpico.

Sinalização de cima a baixo


Um dos pontos altos da organização da cidade para os Jogos Olímpicos de 2012. Todas as estações de trem e metrô estavam muito bem sinalizadas, com indicações do trajeto a ser percorrido rumo às instalações olímpicas. As mesmas informações apareciam com destaque no desembarque dos aeroportos e em pontos estratégicos de toda a cidade.  Até no chão das calçadas, os visitantes eram guiados, com a ajuda de grandes adesivos coloridos. Dentro do Parque Olímpico, placas mostravam o tempo que se levaria entre as instalações, facilitando a programação e o fluxo dos espectadores.

Contêineres para voluntários


A escolha e a distribuição das funções para os voluntários dos Jogos de 2012 foram bem feitas. Grupos foram colocados para prestar informações turísticas e orientar sobre o transporte público em ruas, estações de trem, metrô e ônibus. A prefeitura disponibilizou até pequenos contêineres - similares aos utilizados na Rio+20 - que serviam como base local para essas equipes em pontos estratégicos da cidade. Muitos dos voluntários falavam mais de um idioma, o que torna a comunicação com o público mais eficiente. A EOM sabe que o idioma é um entrave para o Rio 2016, e procura voluntários que falem inglês e espanhol.

Programação cultural


Além de todos os atrativos que as competições esportivas oferecem, Londres desenvolveu ainda uma extensa programação cultural para entreter os turistas antes, durante e depois dos Jogos. Destacam-se exposições gratuitas nas principais galerias e museus, algumas tendo esporte como tema. A organização buscou também dispersar a grande movimentação nas regiões centrais, oferecendo atrações culturais e educativas em pontos periféricos da cidade.

Transporte específico para deficientes


A acessibilidade de Londres foi muito elogiada. Dentro do Parque Olímpico e em outras instalações esportivas, eram disponibilizadas cadeiras de rodas manuais e elétricas para deficientes físicos e idosos. Voluntários e carros elétricos circulavam por todas as áreas comuns para ajudar na circulação dessas pessoas. Nas ruas, a sinalização para cegos foi reforçada e o trabalho dos operadores de trânsito nas vias mais movimentadas garantiu a segurança destes pedestres, que circulavam sozinhos pela cidade.

Centro de imprensa não credenciada


Organizado em uma região central de Londres, o Centro de Mídia Não Credenciada (London Media Centre) atendeu às necessidades da imprensa que não havia se inscrito para cobrir as competições olímpicas. A instalação, que será de responsabilidade da Prefeitura em 2016, ofereceu 700 pontos de trabalho para os jornalistas, duas salas de coletiva de imprensa, pontos de transmissão de TV em três regiões da cidade, wifi gratuito, cartão para usar gratuitamente o transporte público, e facilidade no acesso a pontos turísticos e programações culturais, como peças de teatro e shows.

Preocupação com paisagismo


O projeto do Parque Olímpico incluiu grande investimento no paisagismo, tornando a circulação do público mais agradável. Os caminhos à beira de um pequeno rio que cruzava partes da região olímpica formavam parque linear, com gramado, flores por todas as partes e árvores de porte razoável. Jardins faziam referência aos continentes europeu, americano, africano e asiático. Havia também atrativos lúdicos, com intervenções artísticas, áreas de piquenique, espaços livres para eventos, dentre outras atrações.

Centros de controle operacional


Para a operação dos Jogos de Londres, a prefeitura montou diversos centros de operações. Pelo menos dois deles eram voltados ao funcionamento da cidade: um para transportes e outro para as instalações olímpicas. Esses centros tinham a função de acompanhar as competições de rua, o fluxo nas estações de trem e metrô e o movimento em cada instalação dentro do Parque Olímpico.