Joaquim Castanheira (*)
Brasil Econômico
A proximidade do fim do ano e a revisão de estimativa para o PIB feita pelo Banco Central acenderam novamente o debate sobre o comportamento da economia para 2013.
Opiniões de economistas, analistas de mercado, empresários e representantes do governo convergem para o seguinte ponto: um crescimento mais robusto virá com certeza, pois a partir dos próximos meses as medidas anunciadas recentemente em Brasília começarão a surtir efeito.
Além disso, depois de um período em marcha lenta, a indústria voltará a ligar suas máquinas a todo o vapor, diante da necessidade de recompor os estoques. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita em uma taxa de crescimento próxima dos 5%, como afirmou em entrevista concedida ao Brasil Econômico e publicada na edição de hoje. "O Brasil está pronto para surfar na onda do crescimento", disse Mantega, em seu habitual otimismo.
A escalada da atividade rumo a níveis mais elevados evidentemente é positiva, embora esteja sendo vitaminada por incentivos pontuais. Mas ao mesmo tempo (e essa é uma boa notícia) o governo tem tomado decisões fundamentais para melhorar a capenga infraestrutura do país e garantir a competitividade das empresas locais.
Na edição de sexta-feira passada, 28 de setembro, o Brasil Econômico estampa mais um importante passo nessa direção: os estudos conduzidos por três ministérios para reduzir o preço do gás natural, insumo crucial para a indústria brasileira.
Some-se a isso o recente pacote da energia elétrica e a estimativa de queda nas tarifas; o plano de R$ 40 bilhões de investimentos em ferrovias e rodovias; a redução na taxa de juros básica; a desoneração da folha de pagamento - e o resultado é um conjunto de ações que atende algumas das mais antigas demandas dos empresários e mexem profundamente (e positivamente) no ambiente de negócios do país.
Os oito anos de Fernando Henrique Cardoso ficaram marcados por um ajuste radical nas contas públicas, colocando ordem na casa e eliminando esqueletos nos armários. Luiz Inácio Lula da Silva definiu como prioridade o aumento de renda e emprego e mudou o perfil social do país.
Se a presidente Dilma Rousseff também está à procura de uma marca registrada para sua gestão, um forte candidato seria justamente a reviravolta na infraestrutura e na competitividade.
Para isso, ainda falta mexer em alguns "vespeiros", como a confusa e dispendiosa estrutura tributária do país. Será necessário também garantir que os planos de investimentos previstos deixem o campo das boas intenções e se transformem em ferrovias, estradas e portos mais eficientes.
Caso contrário, o crescimento previsto para 2013 se tornará apenas um comprovante de que o Brasil está condenado aos tradicionais voos de galinha na economia.
(*) Joaquim Castanheira é diretor de redação do Brasil Econômico