quarta-feira, outubro 03, 2012

Índices ressaltam o desafio de descobrirmos por que ocorrem


Ocimar Munhoz Alavarse (*)
Especial para a FOLHA

Nos resultados do Ideb, ganha relevo a situação de escolas com 8ª série do ensino fundamental (municipais e estaduais) que estavam em 2007 entre aquelas com 10% dos menores Ideb e, quatro anos depois, tiveram o mesmo índice ou até menor.

Os anos finais do ensino fundamental no Brasil configuram-se como grande desafio para políticas públicas educacionais. Para as escolas em epígrafe, muito mais.

A maioria de seus alunos praticamente conclui a 8ª série com uma defasagem de dois a três anos de escolarização, em termos cognitivos, e marcada por reprovações.

Os dados do Ideb nos desafiam a sabermos efetivamente de quais processos decorrem.

Ideb reflete o aprendizado acumulado em alguns anos de escolarização, e não apenas do ano da medição pela Prova Brasil. Seu outro componente, as taxas de aprovação do ano de sua edição, também espelha o passado, pois a aprovação de cada aluno, na verdade, não é uma decisão que dependa exclusivamente do que ocorreu no ano letivo.

Nisso incidem os conhecimentos adquiridos e as ações pedagógicas nas séries anteriores, com consequência nas disposições pessoais para a aprendizagem.

Para enfrentar essa situação, o primeiro passo são iniciativas dos gestores das respectivas redes no sentido de recuperar as medidas desencadeadas, pelo menos, desde 2008, e delinear novas estratégias e caminhos.

No âmbito de cada escola, seria salutar identificar, na história das gerações de alunos, fatores e processos que poderiam ter influenciado nos resultados. Teriam ocorrido alterações na composição social dos alunos? Os professores que trabalharam com cada geração foram os mesmos?

Os processos pedagógicos, incluindo os materiais usados, tiveram modificações? A gestão da escola foi capaz de articular um projeto pedagógico coerente com o sucesso escolar? Que condições infraestruturais dispunham alunos e professores?

Evidentemente, tudo isso está ancorado na suposição de sucesso para todos, o que nessas 379 escolas não existiu. Difícil tarefa, mas necessária. Mais ainda para os que quiserem assumi-la como desafio.

(*) Ocimar Munhoz Alavarse é professor da Faculdade de Educação da USP