quarta-feira, outubro 03, 2012

Maioria dos brasileiros não têm hábito de ler para crianças


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Embora 96% da população afirme reconhecer a importância do incentivo à leitura, só 37% lêem para os pequenos, diz pesquisa da Fundação Itaú Social

 (Eduardo Martino/Documentography) 
Crianças no ponto de leitura da comunidade Caracol, 
complexo da Penha, no Rio de Janeiro

Incentivar crianças de até 5 anos a gostar de ler é visto como importante ou muito importante para 96% dos brasileiros. Nove em cada dez pessoas acreditam que o estímulo à leitura deveria ser ao menos semanal. Contudo, apenas 37% tomam a responsabilidade para si e afirmam ler para os pequenos. Os dados fazem parte de uma pesquisa sobre hábitos de leitura, realizada pela Fundação Itaú Social em parceria com o Instituto Datafolha, divulgada nesta terça-feira. 

Mulheres, entre 25 e 44 anos, pertencentes às classes A e B, com ensino médio ou superior completo compõem o perfil de quem mais estimula a leitura nas crianças. As mães aparecem na primeira posição e tios e tias vêm logo em seguida. Pais ficam no terceiro lugar no ranking de parentes que mais se dedicam a incentivar o gosto pela leitura nos mais novos. Enquanto nas classes mais altas, os pais são vistos como os grandes responsáveis por estimular os filhos, nas classes D e E a escola ganha destaque maior.

Um quatro das pessoas ouvidas afirmou ler semanalmente para crianças. A grande maioria considera que, desta forma, estreita relações afetivas com o menor. Proporção equivalente (87%), porém, admite que poderia se esforçar mais na tarefa.

A leitura é valorizada de forma expressiva em todas as regiões. Mais da metade dos respondentes ao estudo acredita que a criança deve ser estimulada a ler desde muito cedo porque isso a ajudará a se desenvolver cultural e intelectualmente. Outros 36% citam que a formação educacional recebida é responsável por criar o hábito da leitura em adultos.

Chama a atenção que quase uma em cada dez pessoas já pensa no futuro profissional dos pequenos. Para 9%, incentivar crianças a ler é uma forma de prepará-las para as exigências futuras do mercado de trabalho.

Entre os 2% dos entrevistados que afirmaram não considerar importante o incentivo à leitura nas crianças, a maior parte argumenta que elas ainda são muito novas e, portanto, deveriam se dedicar apenas a brincar.

Leitura na infância – 
Quando questionados sobre a própria experiência, 60% dos entrevistados afirmaram que não tiveram ninguém que lesse para eles durante a infância. A maioria ressalta que gostaria que isso tivesse se concretizado. Entre os 40% que passaram pela experiência, a maior parte pertence às classes A e B, tem entre 16 e 34 anos e concluiu o ensino superior.

A pesquisa ouviu 2.074 pessoas de 133 cidades do país. A margem de erro da amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.