Henrique Gomes Batista
O Globo
Em relação ao mesmo mês do ano passado, no entanto, a indústria apontou queda de 2,0%
RIO — A produção industrial cresceu 1,5% em agosto na comparação com o mês anterior, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada nesta terça-feira pelo IBGE. É a maior alta desde maio de 2011, quando a produção cresceu 1,6%. É também o terceiro resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação, período que representa um avanço acumulado de 2,3%.
No ano, porém, a produção industrial acumula queda de 3,4%. Nos últimos 12 meses, a retratação é de 2,9%, a oitava consecutiva e a mais profunda desde janeiro de 2010, quando foi de 5%.
Em relação ao mesmo mês do ano passado, a indústria também continua com resultado negativo. Em agosto, houve queda de 2,0%, a 12ª baixa seguida nessa comparação. No período, 16 setores apresentam queda na produção, enquanto 11 registram alta. Apenas 45% dos produtos registram alta na produção industrial nessa comparação.
André Luiz Macedo, responsável pela pesquisa no IBGE, afirma que o resultado de agosto mostra uma evolução muito mais consistente que a registrada nos meses anteriores. Ele afirma ainda que apesar de a alta da produção estar disseminada pelos diversos setores industriais, os bens duráveis, que inclui segmentos mais beneficiados pela redução tributária do governo, como automóveis, eletrodomésticos da linha branca e móveis, puxam o avanço.
Macedo confirma que os setores que receberam incentivos do governo apresentam alta muito acima da média dos outros segmentos. A evolução dos bens duráveis nos últimos três meses é de 9,4% e, neste segmento, que representa cerca de 10% da produção industrial nacional, estão automóveis, eletrodomésticos linha branca e móveis, que foram beneficiados com a redução do IPI. Já a indústria em geral apresenta alta de 2,3% nos últimos três meses e, para efeito de comparação, os bens de capital apresentaram alta de 2,5% nos últimos três meses.
— A magnitude deste crescimento de agosto é mais intensa, é a maior alta na comparação do mesmo mês anterior desde maio de 2011, quando a alta foi de 1,6%. Mas desta vez vemos alta de todas as categorias de uso da indústria e de 20 dos 27 ramos pesquisados, ao contrário do que ocorreu em junho e julho, quando a análise dos setores mostrava um predomínio de resultados negativos. Isso é um crescimento mais consistente, embora a produção industrial ainda esteja em nível inferior ao registrado no ano passado — afirmou.
Ele aponta, porém, que os grandes problemas da indústria este ano — estoques mais elevados que o ideal, aumento da concorrência com produtos importados e dificuldades para a exportação — continuam afetando o setor. Macedo cita como exemplo de estoques ainda indesejados o setor metalúrgico e, no caso de maior dificuldade na exportação, a indústria extrativista mineral, com destaque para o minério de ferro que sente a desaceleração global.
Vinte dos 27 ramos apontam avanço na produção
Na comparação com julho, todas as categorias da indústria apresentaram alta, com destaque para a produção de bens duráveis que avançou 2,6%. Na avaliação setorial, 20 dos 27 ramos da indústria cresceram.
O destaque do mês ficou com os veículos automotores, cuja produção cresceu 3,3%, a maior contribuição setorial para a elevação da produção em agosto. Nos últimos três meses, o setor de carros acumula alta de 9,3%.
O setor que apresentou a maior alta de produção em agosto na comparação com julho, contudo, foi a indústria do fumo, com elevação de 8,1%, motivada por questões climáticas.
Outros resultados positivos vieram de alimentos (2,1%), refino de petróleo e produção de álcool (2,5%), outros produtos químicos (1,9%), farmacêutica (3,1%) e material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (5,9%).
Entre os setores que apresentaram redução, o destaque, segundo Macedo, foi o de máquinas e equipamentos, cuja retração foi de 2,6%. Entretanto, o técnico afirma que o setor ainda apresenta alta de 5% no acumulado dos últimos quatro meses.