quarta-feira, outubro 03, 2012

No ‘FT’, Dilma defende fazer do Brasil ‘um país de classe média’. Mas com renda de pobre, presidente?


Sílvio Guedes Crespo
Estadão.com

O Financial Times publicou uma extensa reportagem sobre a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, dentro da qual são publicados trechos de uma entrevista com a própria.

O jornal observa que a desigualdade social e a pobreza caíram no Brasil nos últimos anos, em uma tendência oposta ao que ocorria em muitos países por causa da crise. “Isso, eu acho, é um ganho muito importante para o Brasil: transformar o Brasil em uma população de classe média. (…) Nós queremos isso. Queremos um Brasil de classe média”, afirmou a presidente.

O diário avalia, no entanto, que, a partir de agora, que a economia se desacelerou, a presidente terá que encontrar um novo modelo de desenvolvimento se quiser continuar sendo um dos motores da economia global. Isso inclui atacar a falta de competitividade do País e o alto custo trabalhista, na opinião do diário britânico.

Fernando Montenegro, a atriz preferida da presidente, disse ao Financial Times que “nós ganhamos com Dilma porque ela não se encaixa na forma tradicional de fazer política no Brasil”. Quando seus ministros foram acusados de corrupção, a presidente “fez algo que é inusual no Brasil: em vez de defendê-los, mandou-os embora”.

Desafio
Dilma apontou a política de afrouxamento monetário nos Estados Unidos (basicamente, a emissão de dinheiro para estimular a economia) como um dos desafios do Brasil atualmente.

“As políticas de expansão monetária que levam à depreciação da moeda criam assimetria nas relações comerciais – sérias assimetrias”, afirmou a presidente.

Entre os entrevistados, há  um crítico da presidente, o economista Tony Volpon, da Nomura Securities, em Nova York. Para ele, o crescimento econômico na última década ocorreu, em parte, por causa da entrada de grande números de pessoas no mercado de trabalho formal. Hoje, com a taxa de desemprego baixa, o ritmo de formalização tende a diminuir. “A questão é: nós vamos ser mais ambiciosos e buscar outras outras coisas? Ou não, seremos uma economia com taxa de crescimento de 3% e inflação alta?”, pergunta o economista

Frases
Abaixo, trechos da entrevista de Dilma ao Financial Times.

“Nós queremos um país que produza; que crie conhecimento e aplique aqui. Nós queremos uma força de trabalho qualificada.”

“Isso (o corte de custos de trabalho, anunciado em setembro) é importante porque não queremos punir aqueles que empregam pessoas.”

“Queremos parceiros do setor privado de qualquer origem” (para as obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016).

“Nós estamos voltando a ser um lugar com níveis normais de lucratividade (do setor financeiro). Isso significa que alguns de nós teremos que buscar lucros em atividades produtivas que são boas para o País.”