Carolina Jardim
O Globo
Consórcio responsável pela obra da usina vai recorrer à Justiça contra ocupação da área
MOVIMENTO XINGU VIVO
Índios ocuparam o acesso que liga um dos canteiros de obras
de Belo Monte à Ilha Marciana em protesto contra o barramento do rio Xingu
RIO — Um dos grandes canteiros de obra da usina de Belo Monte na região do Xingu (PA) mantém nesta terça-feira suas atividades paralisadas devido a protesto de cerca de 120 manifestantes indígenas das etnias Xipaia, Kuruaia, Parakanã, Arara do rio Iririr, Juruna, e Assurini. O grupo se uniu a pescadores, que manifestam há 24 dias contra o barramento definitivo do rio Xingu, e ocupou a região que liga o canteiro à Ilha Marciana na noite de ontem.
Segundo o consórcio Norte Energia, construtor Belo Monte, o protesto começou por volta das 19 horas de segunda-feira, quando um grupo de índios e representante de movimentos sociais ocuparam a ensecadeira no Sítio Pimentel, um dos canteiros de Belo Monte e 900 funcionários foram retirados do local para garantir a segurança. O canteiro conta com um total de 1.500 funcionários, cerca de 10% do total da obra.
A empresa informou ainda que, uma ambulância, um caminhão e os postos de segurança forma tomados e alguns operários foram feitos reféns e liberados horas depois. A Neo Energia diz que não recebeu qualquer reivindicação ou justificativa para o protesto e vai recorrer à Justiça de Altamira para pedir a reintegração de posse da área.
O movimento Xingu Vivo afirmou, por meio de nota, que a ação é pacífica e ocorre em função do “descumprimento dos acordos firmados pelo Consórcio Norte Energia com os indígenas depois da última ocupação da ensecadeira, entre junho e julho deste ano; o não cumprimento de grande parte das condicionantes; a total falta de diálogo da empresa com os pescadores; e a ameaça concreta de alagamento de parte de Altamira com o barramento definitivo do rio Xingu”.
Os manifestantes acusam o empreendimento de fechar o rio sem que tenha sido solucionada a transposição de barcos de um lado a outro da ensecadeira, como exige a Licença de Instalação (LI) outorgada pelo Ibama.
Segundo informou o movimento, a ocupação da ensecadeira do canteiro de obras de Pimental deve permanecer até que todos os acordos firmados em julho tenham sido cumpridos e pequenos agricultores, moradores de Altamira e oleiros da região devem se juntar aos protestos ao longo da semana.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Para que o leitor tenha uma pálida odeia do quanto esta palhaçada toda que se comete em torno de Belo Monte, basta saber o quanto tais paralisações tem provocado em sobrepreço que, ao final, será arcada pelo contribuinte brasileiro.Lá no início do projeto, há três anos, o governo previu que a usina de Belo Monte custaria 16 bilhões de reais. O tempo passou. No ano passado, eram assumidos 26 bilhões de reais. Hoje, ninguém ainda fala, mas já alcança 35 bilhões de reais.
