quarta-feira, outubro 10, 2012

Redução das tarifas bancárias: os vários lados dessa batalha


Míriam Leitão  
O Globo

Depois da batalha contra os juros, chegou a vez das tarifas bancárias. Quanto mais o consumidor de serviços bancários tiver informações claras sobre quanto paga pelo serviço, melhor. É bom que haja transparência e competição, para que os bancos façam seus preços e os consumidores possam escolher aquele que oferece as melhores condições.

O BB e a Caixa fizeram aquele primeiro movimento de redução da taxa de juros; depois, foram seguidos por outras instituições, reduzindo, assim, o spread. Eles tinham gordura para cortar, estavam acomodados, deitados em berço esplêndido.

Agora, o BB fez um movimento de redução de tarifas e pacotes de serviços. O lado ruim disso é os bancos públicos serem comandados pelo governo. Uma instituição de capital aberto, como o BB, tem de fazer movimentos que sejam bons para o banco como um todo. Se passa a ser um dos instrumentos de política econômica, então, não pode ter capital aberto, porque haverá conflito de interesses entre o acionista majoritário e minoritário.

Acho que o BB tem de explicar melhor, mostrar para o minoritário que é bom para ele também, ter argumentos de mercado para justificar os movimentos que faz.

Essa ação fará com que outros bancos olhem suas tarifas. E o consumidor tem de estar mais atento ao que paga.

Gosto da ideia de que os bancos tenham de suar a camisa, que haja maior competição, transparência, porque todo mundo quer pagar tarifas mais razoáveis e juros mais civilizados. É claro que o sistema como um todo tem de continuar saudável, lucrativo, porque se der prejuízo, quebra.

O governo deve evitar o voluntarismo de achar que basta mandar o BB fazer que ele tem de fazer. Vale lembrar aqui de um erro cometido no começo do governo Lula: o BB falou que criaria outro banco, o Banco Popular do Brasil para emprestar dinheiro barato aos mais pobres. Só que o banco deu prejuízo e foi fechado. A propósito, a conta de publicidade desse banco também era da empresa de Marcos Valério.

A melhor forma de se conseguir lucro não abusivo é através de um mercado com competição. Ou então, com uma boa regulação nos mercados com monopólio natural. É melhor do que decretos governamentais.