Pedro Luiz Rodrigues
As engrenagens que deveriam movimentar a máquina do Governo Federal estão emperradas. Fazer barulho, fazem; sacolejar, sacolejam, mas lograr que o trem avance, ah, isso não conseguem. Fumaça aos rolos – rósea, produzida pelos milhões de reais diariamente incinerados pela propaganda oficial –, mas energia cinética, das boas, para frente, muito pouco.
Dilma Roussef, maquinista deste trem que nos carrega a todos nós, brasileiros e brasileiras, tem toda a razão de estar insatisfeita com as dificuldades com que tem de lidar no dia-a-dia, responsáveis pelos resultados tacanhos até agora obtidos em sua gestão.
A Presidente está cansada de ministros que tremem em sua presença, que ficam balbuciando, cheio de dedos, não tendo coragem de dizer não, ou sim, conforme o caso. Não suporta, também os perplexos, que a ficam admirando com um sorriso , incapazes de discordar, de argumentar...ou mesmo de pedir a demissão na hora certa.
Dilma demorou, mas afinal cansou. Parece definitivamente convencida de que uma retífica é indispensável para que o setor público passe a funcionar com o padrão de eficiência que merece o Brasil.
E que merece ela mesma, Dilma, cuja competência e retidão são seu principal ativo, e que continua a merecer o apoio e o respeito da grande maioria da população brasileira, como bem indicam as pesquisas de avaliação de sua imagem.
A Presidente sabe que será simplesmente impossível enfrentar 2013 com a mesma equipe que até agora a vem acompanhando. Já há muito ficou claro que ela não está num mandato-tampão, e que não passará a candidatura de mão-beijada para Lula. Seu sucessor será ela mesma, ou quem ela venha a indicar.
Dilma está cansada de reapresentar ao respeitável público, a cada mês, programas antigos com nova roupagem. Está que não aguenta com resultados parcos e pífios.
Quer também crescimento, de verdade.
Afinal, os Estados Unidos, afundados numa profunda crise, cresceram nesses últimos dois anos mais do que o Brasil.
Mas se a mudança parece iminente, arriscado seria enumerar os nomes que serão ejetados de seus presentes assentos ministeriais.
Alguma especulaçãozinha, claro, sempre poder ser feita , desde que humildemente caracterizada como tal.
O primeiro círculo em torno da Presidente deverá ser mantido. No meu modesto entendimento, a posição de Gilberto Carvalho não parece ameaçada.
O segundo círculo, este sim, parece sujeito a mudanças. Um novo responsável pela articulação com o gabinete, mineiro, que seja próximo da Presidente e merecedor de toda sua confiança, seria um nome adequado.
Daí para frente, vai ser no caso-a-caso, com muitas surpresas na prateleira.