quarta-feira, novembro 28, 2012

Irada com escândalos, Dilma desliga telefone na cara de Cabral por marcha sobre royalties do petróleo


Jorge Serrão  
Alerta Total

Exclusivo - Talvez pressionada emocionalmente pela ação da Polícia Federal que compromete ela, Lula e Dirceu com um esquema mafioso no terceiro escalão do governo e apavorada com os processos judiciais que tomará de investidores da Petrobras e Eletrobras, a Presidenta Dilma Rousseff cometeu ontem à noite um de seus mais comprometedores erros políticos, capazes de lhe tirar a sustentabilidade no meio do mandato.

Irada com as 200 mil pessoas que tomaram o Centro do Rio de Janeiro para a megapasseata “Veta, Dilma: contra a injustiça, em defesa do Rio”, Dilma saiu do sério e praticamente rompeu com Sérgio Cabral Filho. Depois de brigar com Cabralzinho, sentindo-se traída pela manifestação que desgasta a imagem dela por causa dos bilhões de reais dos royalties do petróleo, Dilma desligou o telefone na cara do governador e o deixou falando sozinho.

O descontrole emocional de Dilma, que estava demorando a se manifestar publicamente, pode gerar problemas para ela com a base aliada do PMDB. O maior partido de sustentação tem tudo para abandonar o Titanic do PT, sob sério risco de afundar com a Operação Porto Seguro. Dilma devia saber que governos, muitas vezes, são derrubados por bobagens de gestão política – e não pelas grandes denúncias de corrupção, que por aqui costumam sempre acabar em pizza.

Dilma se descontrolou ao ver, pela televisão, cerca de 200 mil pessoas participarando da passeata contra as novas regras de distribuição dos royalties. Mas, se Dilma não vetar a nova Lei dos Royalties, quem vai ficar descontrolada é a economia do Rio de Janeiro. O desastroso projeto pode tirar R$ 2,079 bilhões do estado apenas em 2013. Pelo telefonema dado a Cabral, tudo indica que Dilma deixará o RJ se ferrar. Junto com o Espírito Santo. Tudo para satisfazer uma suposta maioria da base aliada.

Cabral não pode brigar com Dilma. Nem ela com ele. A quebra da relação pode ter consequências muito ruins para Dilma. Se um perder a proteção política do outro, ambos podem sair destruídos da História. Dilma ainda tem dois anos para completar o mandato, com previsão de estouro de muitos escândalos, quase certo rompimento com o PT e crise econômica para botar mais fogo nos problemas políticos. A boa popularidade de agora pode se transformar em impopularidade, de uma hora para outra.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA: 
O descontrole acima narrado pelo Serrão não é nenhuma novidade para o blog. Temos criticado – e muito! – nossa soberana pelo seu destempero, capaz de, muitas vezes, azedar suas relações com subalternos em razão dos muitos constrangimentos e humilhações a que são submetidos. Nosso ministro das Relações Exteriores, o sempre sereno Antonio Patriota que o diga...

O clima no Planalto, por outro lado, não ajuda em nada, pelo contrário, só serve para  nublar o ambiente ainda mais. É claro que a Operação Porto Seguro, desencadeada na semana passada pela Polícia   Federal, serviu para colocar em cheque não apenas a autoridade presidencial perante o terceiro escalão, mas para abalar também a autoridade do ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, o sempre garboso chefe da própria Polícia Federal.  Ele até pode sair-se com alguma justificativa enviesada quanto a operação, mas o fato é que ele próprio desconhecia as ações da PF.  Isto, num país onde os arranjos do submundo se destacam, no dia a dia,  como costumes rotineiros, torna a situação gravíssima do ponto de vista da autoridade da própria soberana, o que serve, para quem tem o perfil que Dilma carrega,  para adicionar-lhe uma carga ainda maior de azedume.

É fato que Sérgio Cabral, do ponto de vista do interesse de seu estado, está correto em se indispor a um projeto que sequer respeita contratos e direitos adquiridos. A forma como o projeto dos royalties do petróleo foi desenhado é um verdadeiro atentado à legalidade. Por outro lado, sua reação emocional desrespeita em parte os favores até hoje recebidos do governo federal, muito mais do que qualquer outra unidade da federação face a aliança que mantém com os governos petistas, pois o recomendado seria negociar e não ir às ruas protestar. 

Quando pretendeu fazê-lo escolheu o pior momento. Deveria ter a percepção que o clima criado pe3los fatos recentes é impróprio. Mas não se acredite que tal situação servirá para provocar fissuras na aliança PT com PMDB. Ambos precisam enormemente um do outro, e também ambos teriam muito mais a perder a partir desta cisão. Acima de Cabral estão os e caciques peemedebista que saberão colocar panos quentes na rusga em favor da aliança. Sempre é bom lembrar que o PMDB jamais se afastará de uma aliança com o poder, independente do partido que comandar o Planalto.