Comentando a Notícia
O texto abaixo é a reprodução de artigo escrito por Mino Carta, da Carta Capital, talvez ao lado da Record, um dos maiores responsáveis pela popularidade desfrutada pelo PT e alguns de seus líderes.
Não foram poucos os artigos em que Mino se afastou da verdade para se aproximar de Lula e do PT. Não saberia dizer se o fez por idealismo ou puro pragmatismo, para que suas publicações recebessem o capilé do Tesouro em forma de publicidade, e assim Carta Capital se mantivesse em pé. O problema é que quanto mais chapa branca se tornou, com menos leitores pode contar.
Transpassa em suas linhas o enorme desencanto do jornalista para com aquilo em que se tornou a seara petista.
Muitas vezes, alguns jornalista do oficialismo estatal, tem a obtusa mania de taxar e rotular seus críticos de conservadores, reacionários, neoliberais e por aí vai, simplesmente por serem críticos. Não conseguem discernir que alguém possa criticar sem tornar-se adversário de quem quer que seja.
Aqui, a crítica se faz em nome da verdade e em benefício de um país em que 2/3 de sua enorme população não conseguem ter acesso à informação por serem absolutamente semi analfabetos. Deste modo, ficam vendidos diante da gritaria geral e se vendem por qualquer favor insignificante estendido pelo poder público. Não é por outra razão que somos críticos do programa Bolsa Família (sobre o qual ainda voltaremos em outro artigo), e seu custo-benefício em favor de um projeto de poder, e não para priorizar o aprimoramento do próprio indivíduo. Produção em larga escala de uma gigantesca massa de manobra.
Não me surpreende a posição de desalento do jornalista Mino Carta. Políticos de carteirinha, muitos até fundadores do próprio partido, acabaram se afastando pelas mesmas razões: o PT não é um partido político, é um projeto de poder sem bandeiras morais e éticas, sem escrúpulos nem limites, em que o autoritarismo se revela de maneira sórdida.
Assim, os líderes do petismo, se pudessem escolher entre o interesse maior do país e o projeto de poder do partido, não se sentiriam nem um pouco constrangidos em se posicionarem em favor do partido, jamais do país.
Mino Carta até poderia ter aprofundado um pouco mais crítica, poderia até ter retrocedido no tempo para comparar o PT de oposição e o PT governista. Teria percebido que nada mudou a não ser o acesso ao cofre. Este partido jamais foi democrático, jamais estendeu a mão em favor da democracia, e jamais se colocou em favor do Brasil. Seu interesse único foi ocupar espaços para deflagrar sua revolução autoritária.
Porém, antes tarde do que nunca, Mino é mais um a compor o exército de desiludidos e críticos do petismo. Que o restante dos brasileiros rapidamente desperte desta ilusão. Seria doloroso assistir a degradação moral do país e a condenação de sua democracia tornando-se, lentamente, uma peça de ficção. Não, o país não quer isso que o PT oferece, muito menos os brasileiros merecem ser governados pela infâmia.
Segue o texto desalentado do jornalista Mino Carta.
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A traição do PT
Mino enfim perdeu a paciência
Dizia um velho e caro amigo que a corrupção é igual à graxa das engrenagens: nas doses medidas põe o engenho a funcionar, quando é demais o emperra de vez. Falava com algum cinismo e muita ironia. Está claro que a corrupção é inaceitável in limine, mas, em matéria, no Brasil passamos da conta.
Permito-me outra comparação. A corrupção à brasileira é como o solo de Roma: basta cavar um pouco e descobrimos ruínas. No caso de Roma, antigos, gloriosos testemunhos de uma grande civilização. Infelizmente, o terreno da política nativa esconde outro gênero de ruínas, mostra as entranhas de uma forma de patrimonialismo elevado à enésima potência.
A deliberada confusão entre público e privado vem de longe na terra da casa-grande e da senzala e é doloroso verificar que, se o País cresce, o equívoco fatal se acentua. A corrupção cresce com ele. Mais doloroso ainda é que as provas da contaminação até os escalões inferiores da administração governamental confirmem o triste destino do PT. No poder, porta-se como os demais, nos quais a mazela é implacável tradição.
Assisti ao nascimento do Partido dos Trabalhadores ainda à sombra da ditadura. Vinha de uma ideia de Luiz Inácio da Silva, dito Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo até ser alvejado por uma chamada Lei de Segurança Nacional. A segurança da casa-grande, obviamente.
Era o PT uma agremiação de nítida ideologia esquerdista. O tempo sugeriu retoques à plataforma inicial e a perspectiva do poder, enfim ao alcance, propôs cautelas e resguardos plausíveis. Mantinha-se, porém, a lisura dos comportamentos, a limpidez das ações. E isso tudo configurava um partido autêntico, ao contrário dos nossos habituais clubes recreativos.
PERDEU A LINHA
O PT atual perdeu a linha, no sentido mais amplo. Demoliu seu passado honrado. Abandonou-se ao vírus da corrupção, agora a corroê-lo como se dá, desde sempre com absoluta naturalidade, com aqueles que partidos nunca foram. Seu maior líder, ao se tornar simplesmente Lula, fez um bom governo, e com justiça ganhou a condição de presidente mais popular da história do Brasil. Dilma segue-lhe os passos, com personalidade e firmeza. CartaCapital apoia a presidenta, bem como apoiou Lula. Entende, no entanto, que uma intervenção profunda e enérgica se faça necessária PT adentro.
Tempo perdido deitar esperança em relação a alguma mudança positiva em relação ao principal aliado da base governista, o PMDB de Michel Temer e José Sarney. E mesmo ao PDT de Miro Teixeira, o homem da Globo, a qual sempre há de ter um representante no governo, ou nas cercanias. Quanto ao PT, seria preciso recuperar a fé e os ideais perdidos.
Cabe dizer aqui que nunca me filiei ao PT como, de resto, a partido algum. Outro excelente amigo me define como anarcossocialista. De minha parte, considero-me combatente da igualdade, influenciado pelas lições de Antonio Gramsci, donde “meu ceticismo na inteligência e meu otimismo na ação”. Na minha visão, um partido de esquerda adequado ao presente, nosso e do mundo, seria de infinda serventia para este País, e não ouso afirmar social-democrático para que não pensem tucano.
O PT não é o que prometia ser. Foi envolvido antes por oportunistas audaciosos, depois por incompetentes covardes. Neste exato instante a exibição de velhacaria proporcionada pelo relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista Odair Cunha, é algo magistral no seu gênero. Leiam nesta edição como se deu que ele entregasse a alma ao demônio da pusilanimidade. Ou ele não acredita mesmo no que faz, ou deveria fazer?
FANFARRÕES
Há heróis indiscutíveis na trajetória da esquerda brasileira, poucos, a bem da sacrossanta verdade factual. No mais, há inúmeros fanfarrões exibicionistas, arrivistas hipócritas e radical-chiques enfatuados. Nem todos pareceram assim de saída, alguns enganaram crédulos e nem tanto. Na hora azada, mostraram a que vieram. E se prestaram a figurar no deprimente espetáculo que o PT proporciona hoje, igualado aos herdeiros traidores do partido do doutor Ulysses, ou do partido do engenheiro Leonel Brizola, ¬obrigados, certamente, a não descansar em paz.
Seria preciso pôr ordem nesta orgia, como recomendaria o Marquês de Sade, sem descurar do fato que algo de sadomasoquista vibra no espetáculo. Não basta mandar para casa este ou aquele funcionário subalterno. Outros hão de ser o rigor, a determinação, a severidade. Para deixar, inclusive, de oferecer de graça munição tão preciosa aos predadores da casa-grande.
Seria muito bom se pudéssemos construir/participar de uma grande mesa redonda (ou quadrada que fosse) para aprofundarmos as “mazelas” de nosso Pais e de nossa sociedade. Com certeza, todos teríamos com o que contribuir.
Como quem dá a ideia deve ser o primeiro a se colocar a disposição, faço-o desde já.
(Reproduzido no site da Tribuna da Imprensa)
(Artigo enviado por Antonio Carlos Fallavena)
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