sexta-feira, dezembro 07, 2012

Justiça argentina prorroga liminar do Grupo Clarín


Ariel Palacios 
O Estado de S.Paulo

Com decisão, artigo da Lei de Mídia não pode ser aplicado até que haja uma decisão sobre sua constitucionalidade

BUENOS AIRES - A Câmara Civil Comercial de Buenos Aires prorrogou a medida cautelar solicitada pelo Grupo Clarín contra dois artigos da Lei de Mídia que obrigam a empresa – a maior holding multimídia da Argentina – a se desfazer de parte de seus ativos, informou nesta quinta-feira, 6, o jornal Clarín, citando fontes da Justiça. A medida foi tomada na véspera da data designada pelo governo da presidente Cristina Kirchner para executar o artigo 161 da lei, que obriga o grupo a vender parte de suas emissoras de TV a cabo e rádio. 

Reprodução
Grupo Clarín é a maior holding multimídia da Argentina

O tribunal federal onde corre o processo denunciou nos últimos dias ser vítima de pressões do Executivo. Nomeações de juízes para esse tribunal foram negadas e magistrados foram forçados a se aposentar.

A Corte Suprema de Justiça determinou, na semana passada, que o tribunal decidisse imediatamente sobre a constitucionalidade dos artigos e deixou o processo a cargo do juiz Horacio Alfonso. A decisão desta quinta-feira prorroga a liminar até que o magistrado se pronuncie.

Pelo Artigo 161 da lei aprovada em 2009, as empresas de comunicação terão de vender em um ano os canais de TV e rádio acima do previsto na lei. Serão permitidas 24 concessões de canais de TV aberta e a cabo e eles não podem transmitir para mais de 35% dos argentinos.

Reação
O presidente da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação (Afsca), Martín Sabbatella, criticou a decisão da Câmara Civil uma hora após o anúncio dos juízes: "é uma vergonha". Sabbatella, em declarações à agência estatal de notícias Télam sustentou que o governo Kirchner "pedirá a intervenção da Corte Suprema de Justiça para que revise este ato que fere a democracia". O diretor da Afsca também afirmou que o Grupo Clarín subornou juízes federais com "viagens à Miami".

"Canais alinhados ao governo são favorecidos na Argentina", afirma correspondente
TV Estadão

Presidente defende Lei de Mídia dizendo que novas normas democratizam o mercado de informação e incentivam a produção nacional, mas dois canais alinhados ao governo são de capital estrangeiro.