quarta-feira, janeiro 09, 2013

A mudança na condução da política econômica e os IEDs


O Estado de S.Paulo

No domingo, o Estado publicou uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola, alertando sobre os efeitos do abandono das três âncoras da política econômica (meta de inflação, taxa cambial flutuante e política fiscal responsável) e sobre a reação dos investidores estrangeiros, que podem perder a confiança na condução da economia brasileira.

Na sua análise, Gustavo Loyola mostra-se cauteloso, reconhecendo que este processo é lento. De fato, os investidores estrangeiros planejam seus empreendimentos no exterior com grande antecedência, do mesmo modo que algumas empresas de porte, quando à procura de um mercado amplo, em face das dificuldades encontradas para exportar ao Brasil, sempre estarão dispostas a investir em nosso país.

Durante anos o Brasil foi considerado um modelo na gestão da política econômica. Embora a lei não torne seu Banco Central independente, este conseguiu uma liberdade de fato para conduzir sua política de meta de inflação. A Lei de Responsabilidade Fiscal era até objeto de ciúme em outros países, que não estavam conseguindo disciplinar as unidades da Federação. O câmbio, embora se admitisse, como em outros países, uma discreta intervenção para corrigir os movimentos puramente especulativos, flutuava dentro de uma margem previsível.

Em tempo recorde, todo esse quadro foi destruído, dando lugar a operações duvidosas no que se refere ao respeito pelas normas legais.

Como nota o ex-presidente do BC, o que mais afasta o capital estrangeiro é não poder mais confiar nos números apresentados pelo país que acolhe os investimentos.

As nuvens de borrasca estão se expandindo a uma velocidade impressionante na gestão da nossa economia. Não existe mais transparência nas operações do BNDES e as contas a pagar são maiores do que as despesas votadas no Orçamento. Se a dívida pública continua sendo mantida numa relação aceitável com o PIB, a redução do superávit primário se traduz pela necessidade de pagar parte dos juros com emissão maior de títulos da dívida, acelerando o seu processo de crescimento.

O capital estrangeiro continua a dar certa preferência à entrada no mercado brasileiro, mas não podemos deixar de observar um fato novo nessas entradas: a multiplicação das operações de hedge para se proteger de eventuais mudanças no panorama atual, em que o déficit em transações correntes do balanço de pagamentos está crescendo.