quarta-feira, janeiro 09, 2013

O quilograma está mais gordinho, dizem cientistas ingleses


Gabriela Ruic
Exame.com

Pesquisa mostra que o modelo padrão que determina o valor do quilograma, usado em escala global desde 1875, ganhou peso ao longo dos anos

Divulgação/BIPM
Protótipo Original do Quilograma: 
modelo é usado desde 1875 como padrão para a determinação do 
valor do quilograma e conta com 40 réplicas em todo o mundo

São Paulo – Cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, acreditam que o quilograma está ganhando peso. Segundo a pesquisa, conduzida pelos pesquisadores Peter Cumpson e Naoko Sano, o modelo padrão do quilo pode estar mais “gordinho” quando comparado ao seu peso original, determinado em 1875.

O chamado Protótipo Original do Quilograma (IPK, na sigla em inglês) é uma peça feita em platina e irídio, usada desde os idos de 1875 como padrão mundial. Na época do início da sua adoção, quarenta réplicas foram produzidas e enviadas para diferentes países com o objetivo de tornar o quilograma uniforme em todo o planeta.

Pesquisa
O estudo dos cientistas está centrado na peça original, armazenada no Bureau Internacional de Pesos e Medidas, na França. Através de análises realizadas em materiais similares aos usados no modelo, a pesquisa procurou determinar se o acúmulo natural de substâncias em sua superfície, resultado do passar dos anos e processos de industrialização, impactou na medida do quilograma.

E a conclusão é que o modelo padrão pode mesmo estar alguns microgramas acima do seu peso “ideal”. “Está determinado que o IPK é o quilograma”, disse Cumpson. “Então não importa o quanto ele pesa, desde que todos estejam trabalhando com o mesmo valor”, ponderou o professor.

O problema apontado é que, infelizmente, já existem diferenças entre os modelos, pois, ao redor do mundo, cada uma das 40 réplicas existentes está “engordando” de uma maneira. “Esta unidade é fundamental o que faz com que as variações em seu peso sejam sempre significativas e o impacto em escala global é enorme”, pontua. “Especialmente no comércio internacional, onde cada micrograma é considerado”, lembrou Cumpson.

Bronzeamento artificial
A boa notícia, porém, é que é possível ajudar a trazer o quilograma original de volta a sua forma, através de uma espécie de bronzeamento artificial. Os cientistas encontraram uma técnica que é capaz de remover os resíduos depositados na superfície do modelo, sem a danificação do seu material.