quarta-feira, janeiro 09, 2013

Como a PUC e o Mackenzie entraram na lista negra do MEC


Amanda Previdelli
Exame.com

Universidades privadas entre as mais tradicionais de São Paulo têm cursos considerados “insatisfatórios” pelo MEC. A nota no ENADE, que avalia os alunos, foi a causa principal do fracasso

Divulgação
Aluno da PUC-SP em feira de profissões da universidade

São Paulo – Duas das mais conceituadas e tradicionais universidades paulistas, Universidade Presbiteriana Mackenzie e Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), se viram hoje com uma mancha no currículo.

Ambas surpreenderam ao terem cursos inscritos nalista negra do Ministério da Educação. No Mackenzie, a tradicional graduação em Arquitetura e Urbanismo ficou com nota 2. Na PUC-SP, foram os de História (licenciatura) e de Geografia (tanto licenciatura quanto bacharelado) que ficaram com notas consideradas "insatisfatórias" pelo MEC.

Ambas as instituições tiveram problemas similares no Conceito Preliminar de Curso (CPC) divulgado pelo Ministério e formado por vários indicadores.

No caso, as notas no Enade, que avalia os alunos do último ano da graduação, e questões relacionadas a infraestrutura foram os principais problemas. O Mackenzie ainda se deu mal no quesito “regime dos professores”. Por lá, apenas 42% do corpo docente trabalha em regime de exclusividade.

Os dois cursos da PUC ficaram com nota geral 1 no Enade (a melhor nota é 5), os arquitetos do Mackenzie ficaram com 2. Todas as notas abaixo de 3 geram preocupação ao Ministério. Foram menores do que 3, também, as notas de infraestrutura dos cursos de Geografia da PUC e Arquitetura do Mackenzie.

O Enade é obrigatório para os alunos conseguirem se formar. Entretanto, basta a presença na prova para que eles sejam considerados aptos a colar grau – independente da nota que obtiverem no exame, o que abre margem para boicotes.

Nem a PUC-SP nem o Mackenzie confirmam a possibilidade de os alunos terem boicotado a prova, mas não seria a primeira vez. Movimentos como esse têm ocorrido em universidades públicas e privadas, incluindo PUC e Mackenzie, desde o início da aplicação do teste, em 2004. 

A PUC-Campinas, na contramão das paulistanas,  afirma em nota oficial que "alguns cursos sofreram boicote durante a realização da prova". A universidade teve sete cursos na lista do MEC.

Segundo o recém-formado em Relações Internacionais pela PUC-SP, Felipe Gomes, que prestou o último Enade, “cerca de um terço a metade da sala sai da prova com o tempo mínimo”, diz. “Eu fiz a prova para ter uma boa nota do curso e avaliar o meu conhecimento, mas muita gente não faz isso”, afirma.

As tradicionais universidades paulistanas se manifestaram através de notas oficiais. Segundo a reitora Anna Cintra, da PUC-SP, a nova gestão “buscará melhorar o que for necessário”.

O Mackenzie lamentou o “desempenho atípico” na avaliação do Enade 2011 e afirmou que “várias providências estão sendo tomadas com relação a este resultado, entre elas a instituição de uma comissão interna de avaliação, que envolverá toda a comunidade acadêmica”.

As universidades com cursos que tiveram nota insatisfatória - que incluem ainda graduações da  PUC Minas e PUC Goiás - terão 60 dias para cumprir as exigências determinadas para melhorar o corpo docente e 180 dias para se adequar na questão da infraestrutura.