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Com Estadão Conteúdo e agência Reuters
Diferença entre aprovação de crédito e liberação de recursos é a maior na história do banco de fomento; BNDES acelerou liberação de empréstimos em dezembro para bater meta anual
(Ueslei Marcelino/Reuters)
Luciano Coutinho, presidente do BNDES: 2013 será um ano "desafiador"
Num ano em que a economia brasileira teve baixo crescimento, com avanço do Produto Interno Bruto (PIB) estimado em torno de 1%, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou 260,1 bilhões de reais em novos projetos. O valor de aprovações é o maior da história e demonstra a disposição do banco de fomento em evitar um desastre no crescimento do país.
No entanto, para o empréstimo realmente se concretizar, é preciso que o BNDES libere os recursos para os investidores. E, apesar de todos os esforços para colaborar com a equipe econômica da presidente Dilma, apenas 156 bilhões de reais do que havia sido aprovado foram efetivamente liberados.
Assim como houve recorde de aprovações, a desistência é única na história recente do BNDES - 40% do dinheiro aprovado não saiu do papel. É uma demonstração de que, com a economia patinando, as empresas pisaram no freio, desistiram no meio do caminho e reduziram o apetite por acumular dívidas.
"De 2011 para 2012, por força da crise, os planos de investimento se reduziram e estamos observando uma inequívoca melhora de planos de investimento a partir das novas informações", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em coletiva de imprensa nesta terça-feira.
No início do ano passado, Coutinho estimou que o BNDES teria capacidade de emprestar entre 140 bilhões e 150 bilhões de reais. O banco bateu a meta, mas só conseguiu superar a estimativa do presidente porque acelerou o volume de desembolsos em dezembro. Foram 34,2 bilhões de reais liberados no último mês de 2012, valor recorde para o mês. Nos quatro meses anteriores, o ritmo de liberação ficou em torno de 13 bilhões de reais.
A aceleração de liberações em dezembro estaria ligada ao Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal (Proinveste), linha de financiamento voltada para viabilizar investimentos dos governos estaduais. Mas, se mantivesse o ritmo do segundo semestre, o volume liberado pelo BNDES teria sido decepcionante - o menor dos últimos quatro anos.
Setores -
Os desembolsos para infraestrutura diminuíram 6% no ano passado, para 52,9 bilhões de reais, enquanto os recursos destinados à indústria somaram 47,6 bilhões de reais, alta anual de 9%. Os financiamentos ao setor de energia elétrica atingiram cerca de 18 bilhões de reais, alta de 19% ante 2011. Já o setor de agronegócios recebeu 11,3 bilhões de reais em recursos e o comércio, 44 bilhões, crescimento de 16% e 51%, respectivamente.
Expectativas -
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que 2013 será um ano "desafiador". Coutinho preferiu não fazer uma projeção para os desembolsos neste ano, mas admitiu ver "pressão da demanda por recursos". Ele disse ainda que a participação do BNDES depende em parte da agenda de debêntures e do compartilhamento de operações com o mercado.
"As perspectivas do investimento mapeadas pelo banco e as que vêm do aumento de consultas apontam para uma recuperação do ritmo de investimento ao longo de 2013 e 2014", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
O setor de infraestrutura, segundo ele, será um fator de aceleração do crescimento com destaque para as concessões em logística. Os setores destacados pelo banco em termos de planos de investimento foram petróleo e gás, energia e setores da indústria como automotivo, bens duráveis e telecomunicações.
