Fernando Nakagawa
Agencia Estado
Estudo mostra que perspectiva de crescimento do Brasil é pior que a da maioria das economias mundiais, inclusive de nações que estão no centro da crise financeira
LONDRES - A economia do Brasil ainda parece longe de deslanchar. Pelo menos isso é o que mostra a pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 14, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, na sigla em inglês).
Segundo o levantamento, o País tem "sinais preliminares de estabilização do crescimento". O dado faz parte da pesquisa mensal de indicadores antecedentes de atividade econômica, estudo que tenta antecipar os ciclos econômicos das maiores economias do mundo.
O estudo também sinaliza que as perspectivas de crescimento no Brasil estão mais fracas que na maioria das principais economias mundiais, inclusive aquelas que estão no centro da crise financeira. Indicador antecedente da OCDE mostra que o desempenho brasileiro em novembro só não foi pior que do Canadá, Japão e Rússia.
Dados
Segundo o levantamento, o Indicador Composto Avançado (LCI, na sigla em inglês) do Brasil segue praticamente estável há nove meses. Em novembro, o dado ficou em 99,34 pontos, com ligeira alta de 0,01% sobre o resultado de outubro. Desde março de 2012, porém, o dado brasileiro não sai da casa de 99 pontos.
Nesse período, o piso do indicador brasileiro foi exatamente em março, com 99,01 pontos, e o teto de 99,34 pontos em setembro e novamente em novembro. Em nove meses, portanto, o número oscilou positivamente em 0,33%. No acumulado em 12 meses, o indicador registra aumento de 0,97%.
O desempenho brasileiro foi inferior à dos parceiros emergentes China (+0,21%) e Índia (+0,14%). O ritmo brasileiro é pior até do que das economias centrais. A zona do euro, por exemplo, registrou expansão do indicador de 0,06% em novembro, tendo alta de 0,07% na Alemanha e 0,09% na Itália. Na mesma pesquisa, o LCI do Reino Unido cresceu 0,20% e os Estados Unidos avançaram 0,11%.
O desempenho do Brasil só foi melhor que do Canadá (-0,09%), Japão (estável em novembro) e Rússia, que caiu 0,23% e ficou com o pior desempenho da pesquisa divulgada nesta segunda-feira. Na média de todos os países da OCDE, o LCI cresceu 0,06% em novembro na comparação com outubro.
O LCI é calculado mensalmente pela OCDE para tentar antecipar o comportamento dos ciclos econômicos dos países. O dado é ponderado com uma série de indicadores, como compras de empresas, estoques, confiança de empresários e consumidores e preço de ações, entre outros. Normalmente, os ciclos apresentados pela pesquisa são confirmados em período de seis a nove meses à frente.