Danielle Nogueira
O Globo
Elevadores para cadeirantes no terminal 2 ficarão para depois do leilão
Domingos Peixoto / Agência O Globo
Galeão é um dos aeroportos que menos executaram obras
entre os terminais de cidades que vão sediar jogos da Copa
RIO E BRASÍLIA – Às vésperas da concessão do Aeroporto Internacional do Galeão, a estatal que administra o terminal engatou a marcha lenta no ritmo das obras. Em reuniões informais com representantes de empresas aéreas, a Infraero tem dito que algumas obras ficarão para depois do leilão, que deve ocorrer entre setembro e outubro. Caberá, portanto, ao vencedor da licitação executar projetos que seriam feitos pela estatal. Na quarta-feira, o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, admitiu que só 5,2% do orçamento para o Galeão foram executados nos últimos dois anos.
A Infraero já decidiu, por exemplo, que as obras de acessibilidade do terminal 2 ficarão para depois do leilão. Entre elas está a construção de elevadores necessários para que os cadeirantes que embarcam pelo segundo andar do terminal desçam para o térreo. Hoje, quando o embarque é feito pelos fingers (passarelas que conectam os aviões à sala de embarque) não há empecilhos para quem usa cadeira de rodas. Mas se for necessário fazer o embarque remoto (quando o passageiro é levados até o avião em micro-ônibus), os cadeirantes precisam ser levados até o térreo de forma improvisada, muitas vezes carregados por funcionários.
Várias outras obras estão atrasadas por diferentes razões, incluindo problemas judiciais. No projeto do novo terminal 2, estão previstas a construção de mais oito salas de embarque remoto no térreo — hoje são quatro — e a montagem de escadas rolantes dando acesso a elas a partir do segundo andar. Estas obras estão paradas há pelo menos seis meses, segundo funcionários do aeroporto. As obras de alargamento de uma das pistas também estão a passos lentos.
‘Readequação das frentes de trabalho‘
No terminal 2, as obras civis estão a cargo da Paulo Octávio Investimentos, que tem como acionista majoritário o ex-deputado federal Paulo Octávio, acusado de envolvimento no esquema de distribuição de propinas a deputados do Distrito Federal, episódio que ficou conhecido como mensalão do DEM. No terminal 1, o consórcio responsável é o Novo Galeão, da qual a empresa também faz parte, ao lado de outras quatro, entre elas a MPE Projetos. Procuradas, as empresas não se manifestaram.
Perguntada sobre os atrasos, a Infraero disse, em nota, que “houve uma readequação das frentes de trabalho de modo a compatibilizar a elaboração do projeto executivo com o andamento das obras”. Segundo dados da estatal, o nível de execução dos investimentos previstos para o Galeão (de R$ 356 milhões para os dois terminais de passageiros) para o biênio 2011-2012 é o pior entre os aeroportos que vão sediar jogos da Copa, com exceção de Curitiba e Porto Alegre, onde as obras sequer começaram.
Em Manaus, foram executados 62% de um total de R$ 444 milhões; em Confins (MG), foram executados 23% de R$ 260 milhões; em Fortaleza, 15% de R$ 196 milhões; em Cuiabá, 9% de R$ 98 milhões e em Salvador, 7% de um montante de R$ 103 milhões. Foram comparadas apenas obras em terminais de passageiros e não inclui os aeroportos já privatizados.
O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou nota afirmando que vê com “estranheza” as críticas à atuação da instituição na fiscalização de obras públicas. Segundo o TCU, somente em 2012 sua atuação resultou numa economia de R$ 2,5 bilhões. Na véspera, o ministro Moreira Franco criticara o tribunal.
(Colaborou Geralda Doca)
