terça-feira, maio 28, 2013

Médicos estrangeiros poderão ser "importados" por meio de intercâmbio

Veja online
Com Estadão Conteúdo

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estuda atrair médicos de outros países por meio de programas de intercâmbio. Em contrapartida, brasileiros seriam enviados para fazer residência no exterior, em países como Portugal e Espanha

(Marcelo Prates/FuturaPress) 
Apesar dos protestos de entidades brasileiras, Alexandre Padilha 
voltou a defender o programa de importação de médicos estrangeiros 

O recrutamento de médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil também poderá ser feito por meio de intercâmbios, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Pela proposta, médicos formados no exterior viriam ao país trabalhar em regiões com pouca mão de obra. Profissionais formados em instituições brasileiras, por sua vez, iriam para o exterior fazer residência.

As especialidades ofertadas seriam aquelas consideradas prioritárias, como oncologia e anestesia. A proposta tem como foco Portugal e Espanha, mas o ministro afirmou que há a possibilidade de a negociação ser estendida para outros países. Dentro dessa proposta, os médicos brasileiros teriam seus cursos custeados pelo Programa Ciência sem Fronteiras.

Importação - 
O governo estuda desde o ano passado a criação de uma política para atrair médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil. A proposta, que agora ganha seus contornos finais, prevê que profissionais recrutados em outros países ficariam dispensados de fazer o Revalida, um exame para revalidação de diplomas obtidos no exterior.

Hoje em dia, quem passa pela prova recebe registro permanente e pode atuar em todo o país. Já os médicos que viriam por meio do novo programa — evitando o exame — só poderiam atuar em regiões apontadas pelo governo, e por tempo determinado.

Essa permissão de trabalho temporária, com regras específicas, deverá ser criada por meio de uma medida provisória. Com ele, profissionais poderiam trabalhar por três anos em áreas consideradas prioritárias pelo MInistério da Saúde. Participariam do programa municípios dispostos a integrar uma ação para ampliar, criar e monitorar novos postos de saúde. Entre os países já citados como alvo da parceria estão Portugal, Espanha e Cuba.

Reação - 
A estratégia é vista pelo governo como uma alternativa para solucionar, a curto prazo, a falta de médicos no país. Entretanto, entidades médicas como  o Conselho Federal de Medicina (CFM) criticam a medida. Elas afirmam que não há falta de profissionais, mas má distribuição entre as diversas regiões do país. Alertam ainda que a medida pode colocar em risco a saúde da população mais pobre, que seria assistida por profissionais que não tiveram seus conhecimentos profissionais avaliados.

Segundo o CFM, estudantes de medicina e entidades de todo o país estão organizam protestos contra a medida.