terça-feira, maio 28, 2013

Na Venezuela, Igreja reclama de falta de vinho para Eucaristia

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Fornecedor tem problemas para conseguir insumos usados na fabricação da bebida. Igreja prevê que estoque acabará em dois meses

(David Silverman/Getty Images)

Além de se deparar com prateleiras vazias nos supermercados e enfrentar filas para comprar itens de alimentação e higiene, os venezuelanos – ou ao menos a maioria católica – agora podem enfrentar escassez de vinho nas missas. A Igreja Católica afirmou nesta segunda-feira que suas reservas estão acabando pois o único fornecedor enfrenta problemas para conseguir alguns insumos usados na fabricação da bebida.

Uma saída seria importar a bebida, mas a Igreja diz que não tem dólares para isso – e não descarta recorrer ao governo para conseguir moeda americana para realizar a importação. O chefe da comissão de comunicação social da Conferência Episcopal da Venezuela, monsenhor Roberto Lucker, disse à agência EFE que as reservas ainda devem durar dois meses. Ele também explicou que substituir o vinho usado na Eucaristia “não é fácil”, principalmente pelos custos, mas também porque é utilizado um tipo de vinho só de uva, sem aditivos como açúcar ou outras frutas.

Recentemente, o governo venezuelano anunciou a importação de 50 milhões de rolos de papel higiênico, para combater uma demanda excessiva, gerada pela imprensa, segundo a teoria maluca do governo. “Não há deficiência na produção, mas sim uma demanda excessiva que gerou compras nervosas pela população, em decorrência da campanha midiática gerada para perturbar o país. Vamos saturar o mercado para que nosso povo se tranquilize e compreenda que não deve se deixar manipular”, disse o ministro do Comércio, Alejandro Fleming, há duas semanas.

Míssil – 
A população não consegue encontrar itens básicos nos supermercados, mas os herdeiros do chavismo encontram tempo para se preocupar com questões como o lançamento de mísseis. Na semana passada, o governo divulgou imagens de Nicolás Maduro autorizando um teste com um míssil Otomat, modelo MK2, adquirido na década de 1970. O equipamento foi restaurado por técnicos venezuelanos, com o apoio de Cuba, informou orgulhosamente a imprensa estatal venezuelana. 

“Isso faz parte da estratégia desenvolvida pelo comandante supremo, Hugo Chávez, de recuperar e desenvolver as nossas Forças Armadas, particularmente a Marinha”, disse Maduro, acrescentando que o objetivo é fazer do país “uma pátria inatacável, intocável por qualquer império deste mundo”. No lançamento, na base da ilha de La Orchila, ao norte de Caracas, ele esteve ao lado, entre outros, do ministro da Defesa, Diego Molero, e do chefe da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. Tantos as Forças Armadas como o Legislativo do país são alinhados com o oficialismo.

Entre Maduro e Cabello, no entanto, já surgem os primeiros sinais de uma ruptura iminente – e que foi contida no período entre a morte de Hugo Chávez e a eleição de Maduro para a Presidência. A divulgação pela oposição do áudio de uma conversa entre apresentador de TV e chefe do serviço secreto cubano apontando um plano coordenado por Cabello contra o herdeiro político de Chávez mostra que, além dos graves problemas econômicos, os sucessores do coronel terão de lidar com as desavenças políticas internas – e, neste caso, será mais difícil colocar a culpa na imprensa, na oposição ou em inimigos externos.