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Ricardo Leopoldo, Estadão Conteúdo
A expectativa é de que só o setor de telecomunicações aplique um valor superior a R$ 100 bilhões no horizonte deste ano até 2016
Marcello Casal Jr/AGÊNCIA BRASIL
De acordo com a apresentação feita por Coutinho nesta segunda-feira,
o BNDES estima que os investimentos em infraestrutura devam alcançar R$ 489 bilhões
São Paulo - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que a perspectiva de investimentos no Brasil é de R$ 3,806 trilhões entre 2013 e 2016, montante 29% maior do que os R$ 2,951 trilhões relativos ao período registrado de 2008 a 2011.
Segundo ele, a sua expectativa é de que o setor de telecomunicações aplique um valor superior a R$ 100 bilhões no horizonte deste ano até 2016.
"A cadeia de telecomunicações se insere na ampliação da Formação Bruta de Capital Fixo e aumento de investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento", comentou.
De acordo com a apresentação feita por Coutinho nesta segunda-feira, 06, o BNDES estima que os investimentos em infraestrutura devam alcançar R$ 489 bilhões, ante R$ 359 bilhões registrados entre 2008 e 2011.
Para Agricultura e Serviços, é esperado R$ 1,513 trilhão, bem acima do R$ 1,149 trilhão apurado no período anterior. Para a indústria, há uma avaliação que a dedicação de recursos para Formação Bruta de Capital Fixo atinja R$ 1,033 trilhão, marca superior em 21,9% aos R$ 847 bilhões desembolsados entre 2008 e 2011.
Inova Empresa
Luciano Coutinho disse que o Plano Inova Empresa tem foco de investimentos do governo de R$ 32,9 bilhões em vários setores produtivos. Segundo ele, o programa para o setor agropecuário deve ser lançado ainda neste mês.
Ele ressaltou que o orçamento para a produção de etanol de segunda geração, que tinha um orçamento original de R$ 1,5 bilhão, foi dobrado em função da alta demanda de empresas.
Coutinho também ressaltou que o plano Inova Empresa para o complexo aeroespacial e de defesa será anunciado em algumas semanas em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Mas não falou sobre o volume de recursos direcionado a essa área.
Desembolsos BNDES
Segundo Coutinho, os desembolsos de recursos do BNDES para projetos em inovação tecnológica deve chegar a R$ 3 bilhões neste ano, valor bem maior do que os R$ 2,232 bilhões liberados pela instituição em 2012.
Coutinho destacou que o setor de telecomunicações é fundamental para o País apresentar um quadro de evolução constante na área de inovação. "Queremos aumentar a disseminação da banda larga no Brasil", comentou. "Ganhos de produtividade persistentes das empresas dependem de telecomunicações", ressaltou.
O presidente do BNDES destacou que o Brasil tem um mercado muito grande na área de Telecom, pois é o terceiro país no mundo em número de computadores e o quarto em aparelhos celulares.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É impressionante a capacidade do senhor Coutinho em projetar fantasias. Ora, nesta semana mesmo o governo anunciou que elevará a taxa de retorno para as concessões de rodovias com o propósito de atrair investidores. Ou seja, pelo plano anterior, que não provocou nenhuma atração de investidores porque mal elaborado, deixou claro que a “oferta” não era assim tão boa como se anunciou quando de sua implantação.
O mesmo ocorre com as ferrovias que, como vimos abaixo, já empurrou seu cronograma para 2014 porque o governo reconheceu “haver atrasos”. Imagine quando ele se der conta de que, a exemplo das rodovias, o pacote foi mal elaborado.
Quanto às telecomunicações, somando-se todo o programa de investimentos já anunciados pelas companhias, elas sequer investirão à metade do que Coutinho delirantemente imaginou. Além disto, há um grave problema de estrutura – caso das instalações das antenas -, que tem encontrado enormes barreiras para vencer o cipoal de legislações sobrepostas até a obtenção das tais licenças de instalação.
Pelo lado dos portos, o marco regulatório patina miseravelmente no Congresso. Tanto que sua votação que estava marcada para ontem, precisou ser adiada em razão de brigas e desentendimentos. Sem contar que o pacote já seu texto tão modificado que corre o sério risco de ser abandonado pelo própriohgoverno.
Por fim, quanto ao tal programa INOVA, o presidente do BNDES precisará fazer o programa acontecer de verdade. Até agora, sequer foi liberado 10% do previsto.
Assim, fica claro que estas declarações mais pretendem gerar expectativas de que o governo está trabalhando sério, quando o que se vê é apenas a velha e manjada estratégia de provocar IBOPE cujo resultado tem sido, costumeiramente, pífio. Portanto, ou o senhor Coutinho anda tendo seguidos ataques de alucinações, ou anda bebendo além da conta...
