quinta-feira, maio 09, 2013

Inflação acelera em abril; alta em 12 meses é de 6,49%


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IPCA registrou alta de 0,55% no mês passado, ante 0,47% em março. Resultado põe em xeque tese do BC de que preços desacelerariam a partir do 2º tri

(Luciano Amarante) 
Preços aceleram em abril e aumentam pressão sobre Banco Central

Contrariando o que o governo defendeu fielmente nos últimos meses, o  Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, não deu trégua e acumulou alta de 0,55% em abril - em março, o indicador avançou 0,47% -, de acordo com dados divulgados na manhã desta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o IPCA acumula alta de 6,49% em 12 meses até abril, abaixo do preocupante resultado de março, quando o indicador estourou o teto da meta do BC (6,5%) ao registrar aumento de 6,59%. Em abril do ano passado, o indicador registrou alta de 0,64% e no acumulado do ano, 2,5%. 

A tese do Banco Central (BC) e da equipe econômica do governo era que a inflação desaceleraria a partir do segundo trimestre. Em abril, essa aposta não deu certo. Aliás, o governo fica na torcida e vai colhendo dissabores - como a inflação do tomate. Ao invés de contribuírem para colocar a economia brasileira na direção correta, as palavras ao vento servem para abastecer o perigoso mercado da especulação, que só traz insegurança para o país. A equipe econômica ignorou em suas declarações a prévia da inflação de abril, medida pelo IPCA-15, também publicada pelo IBGE, que já alertava para o risco de nova alta. O indicador acelerou de 0,49% em março para 0,51% em abril, antecipando uma nova derrabada do discurso oficial.

Agora, a expectativa se volta para os comentários do governo a respeito do indicador. O mercado quer saber se a cautela prometida na ata da sua última reunião, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu para 7,5% a taxa Selic, pode ser revista. No documento a instituição sinalizou que agiria com cautela na escalada de juros, ponderando que o cenário internacional continua desfavorável.

As recentes projeções para a inflação deste ano dos economistas ouvidos para o relatório semanal Focus, do BC, indicam que o mercado financeiro acredita que as diversas medidas que o governo vem tomando, como desonerações fiscais, desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e estímulo à eficiência empresarial, devem conter a fúria do dragão da inflação. Mas, o que muitos questionam é que o pouco caso do governo com um IPCA próximo ao teto da meta. Para o economista-chefe da Gradual Corretora, André Perfeito,é importante que o governo aja para atacar a inflação individualmente. "Quando você sobe a Selic, consequentemente também interfere no câmbio e, assim, na sua balança comercial. O governo deve continuar a subir os juros até 8%, mas precisa agir com outros instrumentos, como controle de crédito", afirma.

Em sua última ata, o BC já sinalizou que "considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito", ou seja, deixa seu recado para que especialmente os bancos públicos - Caixa e Banco do Brasil - diminuam sua oferta de crédito para ajudar a frear a inflação. A próxima reunião do Copom acontece em 28 e 29 de maio.

Os grandes vilões da inflação em abril


Saúde e cuidados pessoais


A alta nos preços dos remédios fez com que o grupo saúde e cuidados pessoais registrasse a maior variação de grupo no mês passado, com alta de 1,28% ante março. Os remédios subiram 2,99% no período. Os preços dos itens de saúde também foram impulsionados pela alta dos serviços médicos e dentários, cujos preços subiram 1,19%.

Despesas pessoais


Sob a influência do item "recreação", que teve deflação de 0,72% em março, mas subiu 0,14% em abril, a inflação do grupo Despesas Pessoais subiu para 0,61%. O grupo também inclui gastos com hotéis, excursões e serviços bancários.

Habitação


O grupo inclui artigos de limpeza, pagamento de aluguel, contas de água e esgoto, despesas com gás de cozinha e o pagamento de empregados. Todos os itens do grupo registraram inflação em abril, com destaque para a alta das despesas com mão de obra, que saltaram de 0,29% em março para 1,24% em abril.

Vestuário


Influenciado pela entrada da coleção outono-inverno nas lojas, o preço das roupas subiu 0,65% em abril ante março.

Alimentação e bebidas


A alta dos preços dos alimentos em abril (0,96%) foi menor do que a registrada em março (1,14%). Mesmo assim o grupo deteve 0,24 ponto porcentual do IPCA do mês. O preço do tomate continua subindo (alta de 7,39% ante 6,14% em março), mas em abril a maior inflação foi a da batata inglesa, cujo preço subiu 16,16% no mês.