O Globo
Com informações Agência Reuters
Freio na China e dólar alto derrubam cotações. Petróleo cai 3,9%
NOVA YORK - As commodities registraram forte queda ontem, em meio às preocupações com a economia chinesa e americana. As cotações tiveram as maiores perdas em um ano e meio, influenciadas pela perspectiva de um crescimento menor na China, o maior comprador mundial de matérias-primas. Além disso, o anúncio do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que vai reduzir seu programa de estímulos à economia, feito na véspera, também afetou este mercado.
Como as commodities são negociadas em dólar, a valorização generalizada da moeda americana frente a outras divisas, como reflexo da decisão do Fed, acaba levando a uma queda nas cotações das matérias-primas.
O petróleo do tipo brent despencou 3,9% em Londres, negociado a US$ 102,15 o barril, enquanto em Nova York o petróleo WTI foi cotado a US$ 95,40, com recuo de 2,84%. O ouro recuou 6,4% na Bolsa Nymex, em Nova York, com a onça para agosto cotada a US$ 1.286, atingindo uma mínima de dois anos e meio.
— A queda de hoje é para entrar nos livros de história, pelo menos para o ouro — disse o analista da INTL FC Stone, Edward Meir.
O índice de 19 commodities calculado pela agência Thomson Reuters-Jefferies CRB retrocedeu mais de 2,5%, a queda mais acentuada desde dezembro de 2011.
A cotação do cobre, que fechou a US$ 6.750 a tonelada, voltou para os menores níveis em 20 meses, enquanto os preços do alumínio e do níquel caíram para mínimas de vários anos, por temores sobre uma desaceleração da atividade industrial na China, maior comprador mundial de metais.
Os mercados agrícolas também não foram poupados, com o milho, o trigo e a soja recuando, e o açúcar e o café renovando mínimas de vários anos. O café do tipo arábica baixou 4,8% em Nova York, cotado a US$ 1.183, na maior queda em quase quatro anos, enquanto em Londres a cotação teve queda de 3,9%, a US$ 1.936.
Também o açúcar fechou o dia no campo negativo, negociado a US$ 16,38 por libra, recuo de 3,5%. Na soja, a queda nos contratos à vista foi de 1,67% na Bolsa de Chicago, sob influência também do clima adverso nos Estados Unidos e uma redução do plantio.
