sexta-feira, junho 21, 2013

Ou governo devolve a ordem ao país, ou a situação fugirá ao controle.

Adelson Elias Vasconcellos

Creio que o povo brasileiro já deu seu recado à classe política de seu inconformismo com o Brasil atual. As demandas são muitas, mas são justas. Tratam-se de direitos que foram usurpados ao longo de anos de negligência e incompetência.

Ok, acho que os últimos acontecimentos destas últimas três noites são suficientes para revelar que, ou o governo põe na rua as tropas de segurança para recuperar o estado de lei e ordem, ou ainda haveremos de lamentar  vítimas fatais, fruto da baderna, do vandalismo, do banditismo que já não se concentram apenas por meia dúzia, mas por verdadeiras gangues de bandidos que tentam impor terror no país.

Volto a repetir o que venho dizendo nestes dias todos: democracia não combina com depredação, saques, invasão de prédios públicos e privados, ataques à carros de reportagens da imprensa, a linchamento de policiais, destruição, quebra-quebra, saques. 

Creio que, e as imagens da noite não desmentem, que a situação já fugiu ao controle.

Em qualquer país civilizado, passeatas e protestos tem data marcada, hora para começo e fim, e inclusive lugares definidos. E isto se faz para que a manifestação de insatisfação de alguns, independentes das causas que defendem, atrapalhe e prejudique dos demais cidadãos que querem levar sua vida normalmente, e não são culpados  não causadores destes descontentamentos. 

Escrevi nesta semana um artigo demonstrando que as pessoas no Brasil, lamentavelmente, confundem democracia com anarquia. Acham que, pelo fato de viverem num regime de liberdades, que estas liberdades sejam absolutas, que não impõem a ninguém regras e responsabilidades. Qualquer um pode exercer seu direito de manifestar sua inconformidade com os governantes, porém ninguém lhe outorgou o direito de invadir a seara alheia para perturbar. A cada direito corresponde um dever. Isto é básico em qualquer democracia, em qualquer país civilizado. 

O que estamos assistindo é que, para se exercer o direito de manifestação,  o direito de ir e vir está sendo ultrajado.  Nesta semana, tivemos a destruição pelo fogo de um carro de reportagem da Rede Record. Hoje, a Rede do SBT foi a vítima da vez. Ou seja, justamente a imprensa, que desde o início se colocou ao lado dos manifestantes, às vezes até tentando mascarar os abusos provocados por eles, agora está sendo vítima deste pacto surdo.  Por que? Por que os radicalóides não querem ver exibidos suas ações de terror.    
Quando a própria presidente da República se vê refugiada no Palácio do Planalto, precisando  cercar a sede do Executivo Federal com centenas de policiais;

Quando prédios públicos são atacados, pichados, depredados em seguidas tentativas de invasão;

Quando prédios comerciais são destruídos e saqueados;

Quando nem o Palácio do Itamaraty escapou do ataque  não de meia dúzia, mas de dezenas de delinquentes ensandecidos;

Lamento informar que a situação está fugindo ao controle. Dezenas de feridos de parte a parte já se contam por todo o país. E rezemos para que não tenhamos ou não venhamos a lamentar por vítimas fatais.

Portanto, o que está em jogo é a estabilidade institucional do país. Assim, não só as forças policias mas também as Forças Armadas precisam, rapidamente sair às ruas para que se restabeleça com urgência a lei e a ordem. 

Chega de contemporização. Basta de tolerância com quem é intolerante à ordem. Quanta mais contemplativa se comportar as forças de segurança cujo missão principal é garantir a lei e a ordem, mais se alimentará o banditismo, mais estaremos colocando incentivo ao terror. E isto é inadmissível. 

Urge, portanto, que as autoridades venham a público declarar estarem cientes das demandas que se ouvem e que, na medida do possível, trataram de atender os anseios da população. Dizer às pessoas que elas são livres para a manifestação, o protesto, a passeata. Porém, é preciso dar um tempo para que o país retome sua vida normal, porque tais ações estão prejudicando a vida das pessoas, e alimentando o banditismo. 

Ou o país trata de assegurar a segurança de todos, ou conviremos tristemente uma convulsão social, o que ninguém deseja, porque ninguém se beneficia do caos instalado. 

E se seria oportuno que a imprensa passasse a apenas informar, sem tentar glamourizar estas manifestações.    Isto está retroalimentando a ação das gangues e da bandidagem.  Há momentos para avançar, como há momentos para recuar. Este é o momento de recuar. Se os governantes recuaram quanto ao valor das tarifas, e sabem e como as motivações de tanto descontentamento, vamos dar-lhes tempo para ver se nossas demandas começarão a ser atendidas. Radicalizar agora, só servirá para tornar o movimento menor, e não isso o que se deseja. Estamos no limite de um convulsão social.