Folha de São Paulo
Depois de tentarem invadir o Itamaraty, manifestantes promovem um rastro de depredação na Esplanada dos Ministérios nesta quinta-feira (20). Nem mesmo a Catedral de Brasília, um dos principais cartões postais da capital federal reformada recentemente, foi poupada dos ataques.
Manifestantes jogaram pedras na Catedral trincando uma dos vitrais coloridos, picharam ministérios e placas, atearam fogo em diferentes pontos do gramado central e quebram vidros do Banco Central e do Itamaraty. Também enfrentaram a Polícia Militar com rojões. Os policiais reagiram com spray de pimenta, balas de borracha e bombas de gás.
Em Brasília cerca de 40 pessoas foram atendidas pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) entre manifestantes e policiais. Onze pessoas foram levadas para diferentes hospitais. Três estão em estado grave.
A Secretaria de Saúde do DF, em coletiva de imprensa, informou que um homem morreu. Ele caiu de um viaduto próximo à rodoviária central de Brasília. O homem exalava álcool, mas ele não estava na manifestação, segundo o secretário-adjunto de Saúde do DF, Elias Fernando.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando a capital federal é praticamente sitiada, coma presidente recorrendo a policiamento ostensivo inclusive com soldados do Exército, o que resta concluir? Que a autoridade maior do país faliu. Perdeu-se no vento que carregou para longe suas grosserias com auxiliares , assessores e ministros. Quando sua instituição é tão aviltada, a ponto de ter uma Brasília depredada, onde sequer a Catedral de Brasília escapou à ação criminosa dos marginais do ”bem”, vê-se que as instituições do país estão, frágeis. Podem os ministros e a própria Dilma tentara ignorar que o país vive uma instabilidade institucional grave. Mas olhando-se para a nenhuma ação adotada nestes últimos dias, em que a passividade tomou conta da autoridade, vemos que o Brasil opera em regime de UTI. Se nada for feito, e muito rapidamente, corre-se o perigo da falência múltipla.
É neste ambiente que criam as condições propícias ao arbítrio, ao autoritarismo e à repressão. País rico, presidente, é país de governantes competentes, sérios, sinceros, responsáveis, e onde mora a democracia que jamais compactuará com a anarquia que vai tomando conta do Brasil.