O Globo
Serviço de inteligência americano conclui que mais de cem pessoas morreram devido a armamento químico
Documento foi revelado nesta quinta-feira pelo jornal americano ‘New York Times’
AP photo / AP
O presidente sírio em seu escritório nesta quinta-feira, em Damasco
WASHINGTON — Analistas de inteligência americanos acreditam agora que as tropas do presidente Bashar al-Assad usaram armas químicas contra as forças rebeldes na guerra civil na Síria, de acordo com um memorando interno que circula nesta quinta-feira na Casa Branca. O documento foi revelado pelo jornal americano “New York Times”. Não há nenhuma evidência de que os rebeldes apoiados pelo ocidente tenham feito uso de gás sarín, como afirma Assad, segundo um comunicado da Casa Branca.
A avaliação deve pressionar o governo de Obama, profundamente dividido em como responder a provocação que o próprio presidente declarou como “linha vermelha”. Obama disse em abril que os Estados Unidos tinham evidências fisiológicas de que gás sarín havia sido usado na Síria, mas faltava a prova de quem o usou e em que circunstâncias.
De acordo com o relatório da inteligência, entre 100 a 150 pessoas morreram em decorrência de ataques do uso de gás sarín na Síria até agora. “Analistas de inteligência avaliam que o regime de Assad usou armas químicas em pequena escala contra a oposição várias vezes no ano passado”.
“Embora a letalidade desses ataques seja apenas uma pequena parte da perda catastrófica na Síria, que chegou a 90 mil mortes, o uso de armas químicas viola as normas internacionais e cruza claras linhas vermelhas defendidas pela comunidade internacional ao longo de décadas. Acreditamos que o regime de Assad mantém o controle dessas armas”, afirma o documento.
Ben Rhodes, assessor do Conselho nacional de Segurança, disse nesta quinta-feira que Obama ordenou que a ajuda à oposição síria seja ampliada e isso inclui apoio militar. O número de mortos confirmados no país chegou a 93 mil no final de abril, mas as estatísticas verdadeiras da guerra civil, que já está em seu terceiro ano, podem ser muito maiores, de acordo com o escritório de direitos humanos da ONU.
Enquanto o governo de Obama estuda armar os rebeldes sírios, o ex-presidente Bill Clinton aumentou a pressão para um papel americano mais ativo na guerra civil da Síria, mas sem o envio de soldados ao país.
- Ninguém está pedindo soldados americanos na Síria - disse Clinton, segundo o “Politico”.
