Danielle Nogueira
O Globo
As duas maiores companhias do setor, TAM e Gol, tiveram prejuízos bilionários em 2012
Até o fim deste mês, será finalizado o plano de contingência dos aeroportos Santos Dumont e Congonhas. Intuito é melhorar comunicação com passageiros
RIO - O governo já tem em mãos uma radiografia do setor aéreo que vai embasar um pacote de ajuda às empresas do setor aéreo. A Anac entregou um relatório econômico - financeiro para a Secretaria de Aviação Civil na última sexta-feira, segundo o presidente da Anac, Marcelo Guaranys, durante vistoria de obras no Galeão.
As duas maiores companhias do setor, TAM e Gol, tiveram prejuízos bilionários em 2012. A partir do estudo, o governo poderá estudar a melhor forma de socorrer as companhias aéreas com déficits financeiros.
— A partir daí, o ministério pode ter informações para pensar em um plano para ajudar as empresas — afirmou Guaranys.
As principais queixas das companhias aéreas são o elevado preço do querosene de aviação e as tarifas aeroportuárias. Paralelamente, a Anac está finalizando um relatório sobre as novas regras de distribuição dos slots (autorização para pousos e decolagens) nos aeroportos brasileiros.
Segundo Guaranys, durante o período de consulta pública, foram recebidas mais de 300 manifestações da sociedade civil. No momento, a Anac está respondendo todas as mensagens, o que deve ser concluído até o fim deste semestre. Após este processo, um relatório com a proposta para as novas regras será levado para a diretoria para ser votado.
Entre os critérios sugeridos pela Anac — para poder tirar slots de uma empresa e passar para outra — estão a pontualidade e a regularidade dos voos.
— As regras valerão para qualquer aeroporto que a gente declare que esteja em situação de saturação. — Pode ser para o aeroporto todo ou para determinadas faixas de horário — reitera Guaranys.
No entanto, o único aeroporto na avaliação da Anac que está no limite de sua capacidade é o de Congonhas, no coração de São Paulo, onde TAM e Gol dominam o mercado. Guaranys afirmou ainda que há duas possibilidades para realizar esta reordenação do espaço. Uma seria redistribuir os atuais slots entre as aéreas com base nestes novos critérios ou ainda ampliar o número de voos por hora. Hoje, em Congonhas, há 34 voos por hora (30 de aviação regular e quatro de aviação geral — de altos executivos).
— Estamos estudando a real capacidade do aeroporto — diz o presidente da Anac.
No passado, o aeroporto de Congonhas já contou com mais voos por hora, no entanto, após o acidente da TAM, por questões de segurança, a quantidade de pousos e decolagens foi reduzida.
Até o fim deste mês será finalizado o plano de contingência dos aeroportos Santos Dumont (Rio) e Congonhas. A ideia é melhorar a comunicação entre empresas/aeroportos e passageiros quando houver fechamento dos aeroportos por causa de condições climáticas adversas.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Só espero que o tal "socorro" não seja financeiro. Seria colocar o Tesouro Nacional de joelhos para premiar a má gestão.
Acontece que TAM e GOL há muito tempo praticam uma concorrência predatória. Já denunciamos este descalabro várias vezes. Além disto, insistem em absorver companhias menores, não permitindo que a concorrência das pequenas possa suprir a demanda em cidades menores do interior, onde as grandes companhias encontram imensas dificuldades em suprir as demandas existentes aos seus custos.
No fundo, o que o governo precisa é reduzir seu intervencionismo e sua política para a aviação comercial. é impossível praticar leis de mercado e compatibilizá-los às ideologias políticas retrógradas com que o PT tenta desgovernar o país.
As empresas privadas precisam crescer e se tornar gigantes em suas áreas de atuação por seu empreendedorismo, eficiência e méritos. O que se vê é uma tentativa distorcida de se criar gigantes de forma artificial. Esta política de jogar o povão para dentro do transporte aéreo a qualquer custo, para se mostrar ao mundo que os governos petistas tornam as pessoas financeiramente mais bem formadas, é apostar no desastre. Transporte aéreo é caro e deve ser usado por quem tem reais condições de utilizá-lo. Não se pode querer, como faz o governo, querer enquadrá-lo à realidade econômica da população mais pobre. O resultado é o que se vê: GOL e TAM amargando prejuízos vultosos, ano após ano.