Ricardo Noblat
Do ministro José Antônio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, ao programa "Poder e Política", do UOL, comandado pelo jornalista Fernando Rodrigues:
- Pelo que eu leio, o estilo da presidente Dilma é um estilo que se baseia mais na autoridade versus subordinação. O presidente Lula era um presidente que ouvia mais, que sentia mais e depois ele tomava uma decisão. Ele não tinha ideias pré-concebidas, não tinha certezas, ele tinha mais dúvidas que certezas.
- Ela [Dilma] delega menos, centraliza mais. Pode-se tentar deduzir várias hipóteses. ‘A mulher é mais centralizadora’, mas, enfim, não sei as razões. Eu não estou lá. O que eu posso dizer é que o presidente Lula, por exemplo, nunca interveio no meu trabalho. Nunca disse: ‘Toffoli, isso que você falou está errado. Esse parecer está equivocado’, ‘Toffoli, faça um parecer assim, que eu estou precisando de um parecer para isso’. Nunca. Nunca o presidente Lula interveio no trabalho quando eu fui subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, nem quando eu fui advogado-geral da União. E ele sempre ouviu as minhas opiniões, ele sempre foi atento. Sempre tive a liberdade de dizer não ao presidente da República”.
O que disse o ministro, petistas de alto ou de baixo coturno murmuram pelos cantos. Da mesma forma procedem os políticos em geral - principalmente aqueles obrigados a manter contatos com Dilma.
A saber então: por que só agora começa a ser dito a respeito de Dilma o que todos sabem desde que ela foi convidada por Lula para ser ministra das Minas E Energia em 2003?
No caso de Toffoli, gente ligada a ele confidencia que o ministro ficou bastante irritado com Dilma por não ter sido consultado a respeito da indicação de Teori Albino Zavascki e Luis Roberto Barroso para ministros do STF.
(Toffoli é cria política do PT desde que conheceu os primeiros caciques do partido na condição de empregado de uma pizzaria em Marília, no interior de São Paulo. Formou-se em Direito e foi servir a Lula. Depois assessorou José Dirceu na Casa Civil.)
No caso de petistas em geral e de alguns em particular, simplesmente eles se sentem órfãos do estilo Lula de governar. E humilhados pelo estilo Dilma. Nem por isso ainda ganharam coragem para criticar a presidente de peito aberto.
Assistimos ao início da campanha "Volta, Lula".
O estado futuro da economia é que dirá se a campanha terá sucesso ou não.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Por mais forrado de razões que esteja ló senhor Toffoli, não lhe cabe, na função de um ministro com assento no STF, emitir juízos de valor sobre autoridades públicas.
De fato, ninguém morre de amores por dona Dilma Rousseff. Mas, caramba, ela é a presidente do Brasil, não estamos diante de uma pessoa qualquer, bem ou mal, representa o país e o povo brasileiro. A instituição da presidência da república merece e exige reverência e respeito.
Que o jornalista indagasse o ministro sobre sua opinião, é uma coisa, mas que ele se prontificasse em responder da forma como o fez, foi no mínimo deselegante e inoportuno. Que a expressasse, portanto, no futuro, com Dilma já afastada do poder. Mas agora, com ela ainda empossada, é inconveniente. Vê-se que Toffoli, como servidor público da mais alta corte do Judiciário, ainda não deixou de ser meio moleque.
