sexta-feira, junho 07, 2013

Maracanã: clubes só terão receita de setores mais baratos

Veja online

Dinheiro arrecadado com camarotes e cadeiras premium ficará para o consórcio

Ivan Pacheco 
Torcida faz a festa na reinauguração do Maracanã
 em partida amistosa entre Brasil e Inglaterra 

Ao longo dos 35 anos de concessão, o consórcio formado por Odebrecht, IMX e AGE prevê obter um lucro médio anual de 47,6 milhões.

O novo Maracanã tem 78.838 lugares, mas os clubes que decidirem jogar no estádio só terão direito à receita pela venda dos ingressos de cerca de 50.900 assentos - justamente os mais baratos. Com os outros, cerca de 27.900 lugares em camarotes corporativos e setores premium, quem vai lucrar é o consórcio Maracanã S.A., formado pela Odebrecht, pela IMX de Eike Batista e pela empresa americana AEG. O grupo venceu a licitação promovida pelo governo do Rio de Janeiro e assinou, na última terça-feira, um contrato de concessão do estádio pelos próximos 35 anos. Embora a assinatura não tenha sido divulgada pelo governo, o extrato do contrato foi publicado na quarta no Diário Oficial do Rio. O grupo de Eike, que teve um só concorrente na licitação, vai pagar 34 parcelas anuais de 5,5 milhões de reais, corrigidas pelo IPCA, e investir 594,2 milhões em obras no entorno do Maracanã, como a demolição do estádio de atletismo Célio de Barros e do parque aquático Julio Delamare e a construção de novos centros de treinamento.

Para manter o contrato, no entanto, o grupo precisa também assinar acordos com pelo menos dois dos quatro grandes clubes do Rio. O Vasco, que tem seu próprio estádio, e o Botafogo, que aguarda a liberação do Engenhão (interditado por causa de um problema na cobertura), estão fora dos planos do consórcio, que mira na dupla Flamengo e Fluminense. As agremiações, no entanto, não deverão se empolgar com o negócio. De acordo com as propostas técnica e econômica do consórcio, os melhores lugares do Maracanã não darão dinheiro algum às equipes. "As receitas advindas da venda de arquibancadas serão inteiramente do time mandante do jogo", diz o texto. Mas a receita referente à comercialização dos "camarotes corporativos" (2.192 lugares), "camarotes frisa" (416), "assentos premium corporativos" (4.104), "assentos premium" (3.177) e "fã tickets" (18.000) será toda dos administradores. O consórcio projeta um lucro crescente a partir de 2016, quando os investimentos iniciais já terão sido cobertos. A estimativa é de que o lucro chegue a 62,7 milhões de reais em 2027. Ao longo dos 35 anos de concessão, o consórcio prevê lucro médio anual de 47,6 milhões.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A cada nova rodada de mancadas e desastres que se repetem no dia a dia dos brasileiros, muitos logo sacam da pistola e atiram: “Já imaginou na copa!”.

Creio ter chegada a hora de começarmos a nos questionar: já imaginou depois da copa! 

Pois é depois de todos estes eventos, que o país despertará desta fantasia maluca e estúpida para a sua dura realidade. Além dos “lucros” que não acontecerão, o legado que realmente ficará será um montão de bilhões de reais de dívidas para serem pagas. E a nossa vidinha  miserável continuará tão miserável e difícil como sempre foi e tem sido.  Continuaremos sem educação, sem saúde, sem segurança, sem transporte público minimamente decente e com saneamento de quinto mundo, sem contar que estarão escancaradas as portas da corrupção. 

Tem estádios que levarão maias trinta, quarenta anos para serem pagos. E isto que havia promessas de que em nenhum deles  entraria dinheiro público. E não fosse justamente o dinheiro público, nenhum deles estaria em pé. Mas, os lucros da exploração, bem estes foram privatizados, não é mesmo?

Não sou contra a privatização. Pelo contrário, acho que a administração de risco jamais pode ficar na mão do Estado. Mas do modo como se está fazendo no caso dos estádios (me nego em chamá-los de arenas), creio que cheira a safadeza demais. 

Onde estão os bilhões de dólares em investimentos que o simples anúncio dos eventos atrairia para o país? 

Para sediar estes grandiosos “espetáculos”, o país não precisaria abrir mão de sua soberania permitindo que a FIFA influenciasse até nas mudanças de nossas leis. Isto vai muito além do simples “pão e circo”.