Adelson Elias Vasconcellos
Chega ser quase um sacrilégio aos olhos de todos, levantarmos alguma crítica às manifestações que dominaram o Brasil nas duas últimas semanas. Porém, mesmo que possamos ser alvo da ira de quem nos lê, quem mantém no ar um blog com o propósito de, principalmente informar e depois opinar sobre a informação, tem o dever ético de expressar seu sentimento sobre o que vê e ouve, não sobre aquilo que alguns leitores (ou todos) gostariam de ler.
Quem opina, não deve temer o desagrado que possa provocar. Se gosta, deve simplesmente escrever: “gosto”. O contrário, também. Se concorda com esta ou aquela atitude ou medida do governante da hora, deve dizer: “concordo”. Do contrário, deve dizer “desaprovo”. E, num e noutro extremo, por uma questão de clareza, deve explicar as razões de sua opinião ser positiva ou negativa.
Estamos entrando na terceira semana de protestos. Até por conta dos atos de vandalismo, depredações e saques, o comércio em geral, agências bancárias e, também, os expedientes em repartições públicas, tem sido encurtados temendo os atos de violência em que se nota ampliação e virulência cada vez maiores.
Ora, somando-se aquilo que empresas deixam de produzir, com os,prejuízos provocados pelo quebra-quebra de que muitos são vítimas, pergunto: quanto tem custado à economia do país tanto tempo de paralisação e tanta violência?
Mudemos a direção: quanto de atrasos tem sofrido o cidadão comum, aquele que tenta retornar à sua casa, após um dia de trabalho, e se vê obrigada a buscar caminhos alternativos (e mais longos), por encontrar ruas e avenidas entupidas de gente e com trânsito interrompido?
Se alguém acha que tem o direito de promover vandalismo, ou sair às ruas interrompendo o tráfego, bloquear rodovias e até aeroportos, causando transtornos de toda a ordem, e a isso chama de "democracia", melhor voltar à escola e reaprender. A livre manifestação não pode se sobrepor a qualquer outro direito seja ele individual ou coletivo. Dá para promover passeatas sim, mas com ordem, com hora certa para começar e terminar, e sempre com pré aviso às autoridades. Isto é civilização, gostem ou não.
É claro que, por vivermos ainda numa democracia plena, não se deve negar o direito à livre manifestação. Mas este direito não pode e nem deve se sobrepor a qualquer outro direito. O de ir e vir, por exemplo, é um destes direitos que está sendo subjugado pelo exercício da livre manifestação.
Assim, se as minorias desejam ver respeitados seus direitos, o primeiro passo seria respeitar os direitos da maioria. Até porque, do ponto de vista legal, não existe esta baboseira de minoria e maioria, dado que, é princípio basilar da nossa constituição, que é democrática, que todos são iguais perante à lei.