Tribuna da Imprensa
Martin Fackler, The New York Times
O contínuo desastre ambiental da usina de Fukushima ainda figura nas manchetes de jornais de todo o mundo, fazendo lembrar que centenas de toneladas de água contaminada estão seguindo para o oceano Pacífico diariamente, uma crise tem se desenrolado silenciosamente entre a população. Dois anos e meio depois que a usina expeliu nuvens de materiais radioativos sobre o nordeste do Japão, os quase 83 mil moradores retirados das áreas mais atingidas ainda não podem voltar para casa. Alguns deles se mudaram, não sem relutância, mas dezenas de milhares permanecem em um limbo jurídico e emocional, enquanto o governo mantém a esperança de que eles possam retornar um dia.
Enquanto aguardam, muitos têm se sentido cada vez mais amargurados. A maioria apoiou a meta oficial de descontaminação das cidades para que as pessoas possam voltar para as suas casas, onde algumas famílias moram há gerações. Agora, suspeitam de que o governo saiba que essa operação de limpeza levará anos, se não décadas a mais do que o prometido, como tem alertado um número cada vez mais alto de especialistas independentes, mas que não admite o fato por receio de acabar com os planos de reativar outras usinas nucleares no Japão.
Isso deixou a população de Namie e de outras dez cidades que foram evacuadas com poucas alternativas. As pessoas podem continuar a morar em alojamentos temporários apertados, recebendo uma pequena remuneração mensal do governo. Ou podem tentar construir uma nova vida em outro lugar, o que é quase financeiramente impossível para muitas delas, a menos que o governo admita a derrota e as compense pela perda das casas e meios de subsistência.
“Os burocratas querem evitar assumir a responsabilidade por tudo o que aconteceu, e nós cidadãos pagamos o preço”, conta Tamotsu Baba, o prefeito da cidade de 20 mil pessoas, retiradas às pressas quando as explosões começaram a danificar a usina.
NOVA INSPEÇÃO
Uma equipe de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) iniciou uma missão de apoio para auxiliar a gestão da crise nuclear de Fukushima.
O grupo permanecerá na cidade japonesa até amanhã, quando apresentará uma série de propostas para conter os efeitos dos vazamentos na usina, fortemente castigada pelo terremoto e tsunami de março de 2011. Nas últimas semanas, uma série de erros de técnicos da usina chamaram a atenção mundial.
