Beatriz Souza
Exame.com
Para ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, infraestrutura não é único problema dos aeroportos: é preciso começar a tratar aviação como transporte coletivo
Wikimedia Commons
Aeroporto de Brasília: um dos que foi concedido à iniciativa privada,
além dos de Campinas e Guarulhos. Galeão, no Rio, e Confins, em Belo Horizonte, são os próximos
Rio de Janeiro - "Não é que eu não me preocupe com a Copa do Mundo, mas estou preocupado mesmo é em melhorar o atendimento dos passageiros no dia a dia", afirmou o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, a uma plateia de empresários no 4º EXAME Fórum de Infraestrutura, que ocorre hoje na capital fluminense.
O ministro garantiu que os aeroportos brasileiros não terão problemas em atender a demanda durante a Copa do Mundo, mas que é preciso fazer uma revolução cultural para atender bem e de forma cotidiana os passageiros.
"Nós temos dificuldade é no dia a dia, porque a operação dos aeroportos ainda é estruturada como se os aeroportos fossem uma forma de transporte de elite e não de transporte coletivo, como de fato é", disse Franco.
Segundo ele, esse é um grande avanço que será promovido pelas concessões dos aeroportos: acabar com a cultura do monopólio e dos privilégios.
"Não tem cabimento ficar chamando passageiro ausente pelo sistema de auto-falante, você já viu isso em rodoviária, por acaso? Essa mudança cultural tem que ser promovida na operação do aeroporto", defendeu.
Nesse sentido, o ministro afirmou que a Infraero também vai ter que mudar seu papel, pois não estará mais sozinha no mercado.
Experiência nova
O Ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco
Moreira Franco afirmou que essa onda de concessões representa uma nova fase para o país. "Nós temos que ter a consciência de que estamos vivendo uma experiência nova do ponto de vista técnico, político e ideológico. Não temos nem 15 anos de experiência com concessões", disse.
O ministro disse que o Brasil viu sua infraestrutura se degradar nos últimos 30 anos e que agora precisa correr atrás. E o único jeito de se fazer isso na velocidade necessária é em parceria com o capital privado.
"Não há mais preconceito contra o capital privado, hoje tem-se consciência da necessidade de aumentar a capacidade de investimento do país, e que o capital privado é necessário nesse processo", disse.
Segundo ele, a grande dificuldade agora está na qualidade dos projetos apresentados. "Perdemos uma geração inteira de engenheiros com a estagnação dos investimentos, a experiência nesta área de infraestrutura não se acumulou, nem se transferiu", afirmou o ministro.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Este é o problema de se nomear pessoal incompetente em áreas que exige capacidade técnica coisa que sabemos é o que menos tem o senhor Moreira Franco.
Desde o primeiro mandato de Lula, o blog vem advertindo para a estúpida política implementada na aviação comercial brasileira. É muita ingerência estatal, é muita ideologia porca, numa área que exige prestação de serviços de qualidade, entre os quais a segurança.
Avião não é mercadoria que você compra ali na esquina, utilizando seu cartão do Bolsa Família. É um transporte caro, de cultos altos, e não pode ser tocado de qualquer jeito. Exige alta tecnologia, manutenção irretocável, modernização, pessoal especializado e capacitado.
A moral da história é a seguinte: hoje, contamos com apenas duas empresas aéreas de médio porte. Ambas endividadas até a raiz dos cabelos. Tudo porque o governo resolveu, como se depreende da fala do Moreira Franco, tornar o transporte aéreo política de justiça social.
Aí não dá. Aí é apostar no azar. Transporte aéreo, senhor Moreira Franco, dada a sua especificidade é caro e se as empresas do ramo não puderem cobrar tarifas condizentes com seus custos, é falência na certa. Ou o governo pensa que poderá subsidiar mais um esqueleto, empurrando a conta para o Tesouro? Já vimos este filme, e sabemos o abismo que ele representa.
Um país com a dimensão continental que tem o Brasil, deveria era priorizar investimento pesado em transporte ferroviário de qualidade. Aqui, o custo/benefício ajuda a baratear as tarifas. A prioridade está completamente invertida. Queremos subsidiar um transporte que é, goste o ministro e sua presidente ou não, elitizado por sua natureza.
Ainda chegaremos ao ponto de decretar o fim da lei da gravidade, com pensadores como Moreira Franco deitando saliva inútil. Ou, quem sabe, inventar uma roda quadrada. Com tais cérebros ditando políticas e programas de governo, pode ser que eles ainda consigam transportar o Brasil para o início do século 20.
Porque, subsidiar transporte aéreo para as classes menos favorecidas é desviar dinheiro público de áreas bem mais carentes e prioritárias como saúde, educação, saneamento e segurança. A única maneira de tornar o transporte aéreo mais acessível à grande massa é elevar a renda per capita da população. Mas para isto é preciso ter crescimento forte, com o PIB acima de 5 a 6% por ano, coisa que este governo está distante. Mas, como este mesmo governo já afirmou, repetidas vezes e por diferentes vozes, que o tamanho do PIB não importa, este aumento de renda não acontecerá na velocidade necessária para, no curto prazo, mais pessoas viajarem de avião.
Com gente assim, pensando como Moreira Franco, não há país que consiga sair do buraco.

