Adelson Elias Vasconcellos
O texto apresentado no post anterior, de autoria de Olavo de Carvalho, serve para demonstrar – e o professor de maneira clara, inequívoca – o quanto a ignorância vai tomando conta do pensamento nacional. Dá para se dizer que o país emburrece um pouco mais a cada dia.
Olavo faz uma espécie de “pingos nos ii” ao lamentar a enorme reação negativa de um bom número de jornalistas à contratação, pela Folha de São Paulo, de dois novos articulistas, Reinaldo Azevedo e Demétrio Magnoli. Explica a confusão mental que os esquerdistas fazem fruto desta ignorância epidêmica que não consegue diferenciar uma coisa de outra. De forma absolutamente didática, coloca em seus devidos lugares, os significados políticos de direita e esquerda, de extrema direita e extrema esquerda que, no baú dos “famosos” bons de pena mas ruins de conhecimento, confundem e embaralham.
Continuo afirmando que o problema central do país é a educação e, aqui tanto faz, se educação moral ou intelectual. Nas duas o país é um atraso. Fôssemos minimamente civilizados, intelectualmente bem formados e certas penas não fariam nem o sucesso tampouco o barulho que promovem.
Assim, esta reação estúpida contra a presença de Reinaldo e Magnolli na Folha só pode significar duas coisas: o medo da concorrência, já que ambos dominam o pensamento sobre os valores que dominam e defendem, e ausência completa de senso democrático. Em qualquer país intelectualmente mais avançado - e nem precisa ser muito mais avançado, um pouco só já basta – os defensores de direita e esquerda consegue conviver harmonicamente. E tanto simpatizantes de um lado quanto de outro. Isto é civilidade.
Já por aqui as penas que se alardeiam de “esquerda” ou “progressista” como pretensamente se autodenominam, não admitem contraditório, não aceitam pensamento contrário, não conseguem compreender que, tanto um lado quanto o outro, podem contribuir para AA melhoria de um país.
Aqui se quer o pensamento único, majoritário, e como se vai ver, o pensamento tolo e ignorante de quem se quer muito e no fundo não passa de um Zé Mané. Em termos intelectuais, é claro. Se diz, comumente que, terra de cego quem tem um olho é rei. Talvez seja por isso que a qualidade do ensino no Brasil só melhore num aspecto: a educação doutrinária. E em grande parte de livros didáticos adotados pelo MEC esta doutrinação está presente de forma escandalosamente. Infelizmente poucos são os pais que podem se rebelar e denunciar esta parafernália em que se quer transformar o ensino no país. A grande maioria deles é semialfabetizada, e a minoria restante, que poderia denunciar e exigir mudança no tom empregado, sequer tem tempo (alguns nem interesse tem) de sentar e folhear os livros que estão sendo recomendados aos seus filhos.
Portanto, sempre que a gente se depara com alguma pessoa, tenha a formação que tiver – jornalista, artista, ou até professor e político – tendo ataques e chiliques contra o pensamento qualquer que ele entenda de direita e os demoniza por conta destes valores, o melhor que se tem é atravessar a rua, isto é, melhor mudar de assunto. Pretensamente democráticos, estes pensadores nutrem verdadeiro ódio ao debate de ideias. Ao invés de argumentos, fatos e fundamentos que deem luz ao seu pensamento, partem logo para o achincalhamento, ofensa, desqualificação quando não até para a difamação de seu oponente. Quando trafegam na avenida das ideias, para ele “pensador”, a avenida tem apenas mão única: a dele, lógico.
Deste modo, Olavo de Carvalho presta um enorme serviço de esclarecimento, em primeiro lugar, e de arrancar a máscara de pretensos “democratas”, em seguida, com texto simples, mas limpo e sério. Não teme dar nome a alguns bois desta manada de analfabetos políticos. E, muito embora ele não tenha citado, mas poderia aqui reunir no bloco dos pensadores “autoritários”, a jornalista Miriam Leitão, a jornalista de economia da Rede Globo, que com artigo “Miséria de debate” deu provas de seu miserável pensamento político, ao repelir de maneira deselegante, a contratação dos dois articulistas defendidos pelo professor Olavo de Carvalho. Se no plano da economia a jornalista tem algum preparo e domínio sobre o tema, no campo político, provou ser um zero, e tanto se faz se este zero for à esquerda ou direita. Além de total despreparo democrático, com um crítica ácida contra um pensamento que abomina mas que desconhece seus conceitos mais elementares, Miriam não contribui em nada para o aperfeiçoamento da prática civilizada do debate político. Está naquela categoria – como de resto, toda a esquerda nacional – que, perguntada sua opinião sobre determinada obra literária, vai logo dizendo “não li e não gostei”. Com gente assim, não debate que frutifique. Daí porque a sugestão de que, o melhor a fazer, é ir logo atravessando a rua.
Uma das diferenças da democracia, é que nela os diferentes, mesmo que não se atraiam, conseguem conviver harmonicamente. Numa sociedade autoritária, os diferentes ou são encarcerados ou eliminados. Não precisamos ir até Cuba para constatar isto: é só lembrar da ditadura militar e suas vítimas. E, por favor, não existem ditaduras brandas: existe autoritarismo, seja ele de direita ou de esquerda. E ambos, estejam certos, são repressores.
Assim, a reação contrária a presença de Reinaldo Azevedo e Demétrio Magnoli no rol de articulistas da Folha só vem mostrar que, mesmo após mais de 25 anos da redemocratização, ainda há espíritos saudosistas daqueles tempos repressivos, ou se alinham àqueles que adoram flertar e dar piscadelas para regimes como os de Cuba, Correia do Norte, ou até a Venezuela, Argentina e congêneres. Deste modo, ainda que concordem com o pensamento e os valores cultuados e defendidos por Reinaldo e Demétrio, deveriam ao mesmo comportar-se de forma mais democrática e tolerante, algo cujos conceitos ou talvez não dominam suficientemente, ou, o que é pior, simplesmente abominam, apesar da máscara...