Ricardo Setti
Veja online
(Foto: Ana Clara Costa)
Dilma em Davos: dizendo o que os investidores queriam ouvir — mas, no ato,
sendo desmentida por fatos. O rombo externo do país é o maior em 67 anos
Na primeira participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a que se dignou comparecer — ela não quis ir às três edições anteriores daquilo que a flor do lulopetismo considera uma espécie de “reino do neoliberalismo” e do “capitalismo selvagem” — a presidente Dilma fez levantar os sobrolhos dos pontualíssimos suíços ao chegar atrasada para sua fala, fez discurso de 40 minutos em que, como sempre costuma ser o caso, enalteceu o progresso social do país, referiu-se à inflação como estando dentro da meta — embora esteja longe do centro da meta, objetivo de seu governo — e repetiu que as contas públicas estão sob controle.
Dilma apresentou um belo cenário cor-de-rosa, como demonstra a competente enviada do site de VEJA a Davos, Ana Clara Costa (leia sua reportagem aqui). Mas, por coincidência infeliz, no mesmo dia o Banco Central divulgou péssimas notícias sobre um dos pilares do discurso presidencial, o de que as contas públicas “estão sob controle”.
Não estão, não. Na verdade, o rombo nas contas externas do Brasil — componente crucial das contas públicas — cresceu espantosos 50% e fechou 2013 com um preocupante recorde: é o pior resultado do tipo desde 1947, quando o presidente da República era o general Eurico Gaspar Dutra. Ou seja, o pior resultado ao longo de 17 mandatos presidenciais! Nada menos do que um buraco de 81,3 bilhões de dólares!
Um item importante para esses números preocupantes foram as despesas com juros externos — os juros daquela dívida externa que o Lula disse que pagou, sabem? Segundo o Banco Central, despesas com juros externos somaram 14,244 bilhões de dólares em 2013.
A colega Ana Clara informou de Davos que o discurso de Dilma era o que o pessoal do capital, os grandes investidores e os grandes credores do país, queriam ouvir.
O problema é que essa gente é tudo, menos boba. Eles sabem que o discurso da presidente continha um grande percentual de conversa mole — como vocês estão podendo constatar.
