O Globo
‘Perdemos a oportunidade de dar conforto e mostrar um Brasil diferente', disse ele em entrevista à CBN
Jorge William
Carlos Alberto Parreira durante o Footecon, no Rio de Janeiro
RIO - Em entrevista ao programa CBN Esportes, o coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, fez duras críticas à organização do Brasil para a Copa do Mundo de 2014. Parreira disse que houve descaso total com o evento esportivo. Ele lembrou dos aeroportos que só serão licitados em março, às vésperas da Copa do Mundo.
- A gente queria tudo para a Copa, mas para a Copa foi um descaso total. Vejo que os aeroportos vão ser licitados a partir de março, três meses antes. É uma brincadeira, fomos indicados há sete anos e só agora vão licitar os aeroportos? - disse Parreira.
Além disso, Parreira citou obras que deveriam ser um legado após o mundial de futebol e que só ficarão prontas a partir de 2016, lamentando o fato de que muitas obras projetadas para a competição sairão do papel anos depois de o país ter sediado o Mundial.
Ele ressaltou que o torcedor não vive só de estádio e precisa de infraestrutura:
- Perdemos a oportunidade de dar conforto e mostrar um Brasil diferente - afirmou.
Sobre o desempenho da seleção, Parreira disse que o Brasil tem que ser campeão e que não existe um plano B para a comissão técnica.
Sobre manifestações previstas para o período da Copa, ele disse que o grupo de jogadores não deve ser afetado.
- De certo modo, eles estão blindados, sabem que não podem misturar. Se começar a se preocupar, dividir o foco, vai ser difícil. Vamos pensar em ganhar a Copa, e fora do campo é problema das autoridades. Mas ninguém ali é alienado - disse Parreira, campeão do mundo como técnico em 1994 e que esteve com a seleção, como preparador, ainda na conquista da Copa de 70.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Esta perda de oportunidade a que se refere Carlos Alberto Parreira demonstra que as autoridades brasileiras não viam na Copa (tampouco nos Jogos Olímpicos) como a grande chance do país impulsionar seu desenvolvimento, reduzir suas desigualdades e ofertar ao povo brasileiro melhor qualidade de vida.
Olharam para os eventos apenas com os olhos do oportunismo político de se manterem no poder. Demagogia pura.
Assim, o tal legado se converterá nas dívidas que ficarão para serem pagas no correr dos anos, além da frustração do povo brasileiro de ver que o retorno dos altos impostos a que está obrigado a pagar, continuarão com retorno zero. O mesmo, porém, não se pode dizer para os políticos e, claro, as empreiteiras, grandes doadoras para os caixinhas de campanha...
