quarta-feira, março 19, 2014

Presidente do Banco Central da Venezuela admite crise econômica

O Globo
Com informações Agência Reuters 

Para Nelson Merentes, medidas do governo ajudarão país a sair da situação rapidamente

LEO RAMIREZ / AFP 
O presidente do Banco Central venezuelano, Nelson Merentes 

CARACAS - O presidente do Banco Central da Venezuela, Nelson Merentes, reconheceu neste domingo que o país atravessa uma crise econômica, mas disse que medidas estão sendo tomadas para trazer rápidas melhorias.

— É uma crise, mas não é uma crise de dimensões tão profundas quanto alguns analistas dizem — disse Merentes, que é considerado mais reformista do que outros do governo altos funcionários do presidente Nicolas Maduro.

A taxa de inflação anualizada de 56% e escassez de produtos estimularam uma onda de protestos de oposição que levaram a morte de 28 pessoas no país desde fevereiro.

— Não podemos esconder a realidade: a economia tem inflação, escassez, e o crescimento não é robusto. Mas a Venezuela tem a habilidade para sair deste momento que não é tão bom. O governo está tomando medidas que nos ajudarão a sair desta situação rapidamente — disse Merentes, em entrevista a uma TV local.

Uma delas é o recém-anunciado sistema de mercado de câmbio conhecido como Sicad 2, que entrará em vigor em alguns dias, e já ajudou a baixar o preço do dólar dos 85 bolívares para algo entre 72 e 75 bolívares, de acordo com sites ilegais que anunciam as cotações.

Os opositores tratam o Sicad 2 como uma desvalorização disfarçada, mas analistas de Wall Street, investidores e economistas saudaram a medida como bem-vinda. A Venezuela mantém controle da cotação há 11 anos, e apesar de Maduro ter se comprometido com a manutenção das políticas de seu predecessor, Hugo Chávez, algumas mudanças na política econômica são vistas como necessárias mesmo dentro do Partido Socialista.

Merentes disse que a onda de protestos de seis semanas tem “algum grau de impacto” no crescimento econômico mas apenas limitado. A expansão no primeiro trimestre será leve, segundo ele, e a previsão do governo para o ano continua sendo de 4%.