Lucianne Carneiro
O Globo
Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, setores como transporte aéreo, alimentação e alojamento, no entanto, estão mais animados
Daniela Hallack Dacorso / Agência O Globo
Guilherme Carames (à esquerda) e os sócios dirigem um hotel em Vila Isabel:
‘vamos precisar de mais gente para ajudar no atendimento’
RIO - O ânimo das empresas do setor de serviços e comércio para contratar funcionários para o período da Copa do Mundo não está dos maiores. Pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas mostra que apenas 10,4% das companhias do setor de serviços e 7,8% do comércio têm planos de chamar trabalhadores temporários para a época. A maioria não pretende alterar o número de pessoal: 78,5% no setor de serviços e 86,5% no comércio. Foram ouvidas 2.381 empresas em um quesito especial das Sondagens de Serviços e de Comércio da FGV/Ibre.
Setores como transporte aéreo, alimentação, alojamento e segurança, no entanto, despontam com maior ímpeto de contratação. Quase 40% (39,3%) das empresas de transporte aéreo vão contratar de forma temporária, taxa que é de 19,7% no setor de alimentação, 18,9% em alojamento e 21% em segurança.
— Os números sugerem algum impacto em contratação, mas que tende a ser localizado. Há muitas companhias que acham que a Copa não vai afetar em nada, mas em alguns setores é suficiente para melhorar o ânimo, em um momento em que as expectativas empresariais estão em um nível muito baixo. Na média, não é um fator de grande estímulo — afirma o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV/IBRE, Aloisio Campelo.
No Maraca Hotel, em Vila Isabel, o sócio Guilherme Carames está buscando mais uma funcionária e acredita que a procura será grande durante a Copa:
— Estamos com muitas reservas e achamos que vamos precisar de mais gente para ajudar no atendimento. De qualquer forma, acreditamos no negócio e a princípio será uma vaga permanente.
Caesar Park Ipanema (Sofitel), Windsor Barra e Linx Galeão são outros exemplos do setor que pretendem contratar funcionários temporários para lidar com o aumento do número de hóspedes na época.
No Caesar Park Ipanema (Sofitel), que tem cerca de 250 funcionários, serão contratadas cerca de 15 pessoas para trabalhar na época da Copa, parte delas para o setor de segurança. Já o Windsor Barra vai contratar algo como 40 funcionários temporários, que devem ser depois aproveitados em um outro hotel da rede no bairro.
— Será um período de alta ocupação e vamos aumentar o quadro em várias áreas — diz a gerente de recursos humanos do hotel Patricia Summa.
A sócia do Moinho Arte & Café Gabriela Aranda, no entanto, é um pouco mais cautelosa, postura mais próxima à maioria das empresas pesquisadas. Por enquanto, não tem planos de contratação para a Copa e prefere esperar o início da competição para avaliar se será preciso chamar funcionários para trabalhar de forma temporária.
— Esperamos aumento do movimento à noite, mas alguma queda na hora do almoço por causa do feriado. O balanço deve ser positivo, mas mesmo assim achamos que dá para atender os clientes com qualidade com o quadro de funcionários que já temos. Só vier um movimento além do esperado vamos contratar — diz Gabriela.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como se vê, o tal impacto econômico com a realização da Copa já era, meus amigos. Vai virando pó. Reparem: além da não geração dos empregos projetados, tanto comércio quanto indústria ainda vão sofrer com os feriados em dias de jogos, já decretados em muitas das cidades sedes.
Quanto mais se aproximam o início do evento, mais se comprova que, no fundo, a importunidade da realização agora da Copa em nosso país. Poderíamos ter aproveitado para ter avançado em mobilidade urbana, privilegiando o transporte coletivo (ao invés do individual como os governos petistas têm feito), modernizar nossa infraestrutura, além de investir pesadamente em educação, saúde , saneamento e segurança. Mas, ao contrário, o país se preocupou muito mais com a perfumaria do que com o essencial, retardando ainda mais o desenvolvimento do país e deixando precária a qualidade de vida de seu povo.
