quinta-feira, abril 17, 2014

Brasil ainda é um megaconsumidor de amianto

Vanessa Barbosa
Exame.com

País também está os cinco maiores produtores de amianto, que é considerado cancerígeno e prejudicial ao meio ambiente

ACAUA FONSECA / EXAME 
Negócio: o amianto, que pouco a pouco perde espaço,
 é a base dos produtos da empresa Eternit

São Paulo – Fortemente condenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso deamianto já foi proibido em mais de 60 países, a maioria ricos, mas ainda é pratica corrente em emergentes. O Brasil é um deles.

O país está entre os cinco maiores consumidores, produtores e exportadores da fibra, que é utilizada em diversos produtos industriais, principalmente em telhas e caixas d’água.

A indústria mundial do amianto é dominada pela Rússia, que é a principal fabricante, responsável por 50 por cento da produção global.

Em seguida, aparecem China, Brasil, Cazaquistão e Índia. Os dados são de um levantamento da International Ban Asbestos Secretariat (IBAS).

Contudo, com o endurecimento de leis nacionais, a produção de amianto (na mineração) e o consumo (produtos manufaturados, por exemplo) têm caído.

Ao longo das últimas três décadas, passou de 5 milhões de toneladas por ano para cerca de 2 milhões de toneladas por ano, segundo estudo recente do Citi.

 Perigos
De acordo com a OMS, não existem níveis seguros de exposição ao produto. Estimativas da entidade apontam que 125 milhões de pessoas estão expostas em todo o mundo e 107 mil morrem anualmente de doenças associadas ao amianto.

Quando manuseado sem proteção, o amianto é altamente prejudicial à saúde, e os problemas muitas vezes se manifestam anos depois da exposição.

Ao serem inaladas ou ingeridas, as fibras do pó do amianto estimulam mutações celulares e podem dar origem a tumores e a certos tipos de câncer de pulmão.

Amianto no Brasil — lento banimento
Por aqui, a utilização do amianto se intensificou na década de 70, sobretudo com os programas de habitação popular, mas o uso controlado do produto só foi previsto em lei em 1995.

Além da preocupação com a exposição dos trabalhadores, formas de transporte e comercialização, o descarte do amianto e dos produtos que o contêm também é alvo de atenção.

Uma telha quebrada de amianto, por exemplo, não pode ser descartada como lixo comum.