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Em meio ao caos econômico e inflação fora de controle, presidente quer verificar se os comerciantes estão cobrando 'preços justos'
(Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
O presidente venezuelano Nicolás Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite desta terça-feira uma nova inspeção a estabelecimentos comerciais do país. O objetivo da ação, que começa na sexta-feira, é verificar se as margens de lucro definidas e os "preços justos" são respeitados – segundo a lógica de Maduro, a inflação altíssima e o desabastecimento do país são culpa de uma “guerra econômica”, e não de suas medidas desastradas na condução das finanças venezuelanas.
"Vamos iniciar, no âmbito da ofensiva global de produção, abastecimento e preços justos, com milhares de inspetores, uma jornada nacional de inspeção de todos os estabelecimentos comerciais do país, com vistas ao cumprimento da Lei de Preços Justos, para que sejam respeitados os preços dos bens de primeira necessidade", disse Maduro em seu programa de rádio. O presidente também destacou que "quem brincar com a lei vai se dar muito mal".
Maduro afirmou que o governo procura "um ponto de equilíbrio no abastecimento de 50 produtos", cujos preços de venda ao público vão ser anunciados em breve. "Uns manterão os preços justos, outros vão baixar e outros vão subir", completou. Desde 2003, a Venezuela aplica um rígido controle cambial, com o dólar cotado a 6,30 bolívares – no câmbio paralelo, a moeda é negociada a um valor até oito vezes superior.
O livre acesso à compra e venda de divisas americanas está proibido desde 2003 no país. Pessoas físicas e jurídicas precisam realizar seus pedidos por meio de mecanismos burocráticos e somente no câmbio oficial, de 6,30 bolívares por dólar. Por terem de seguir regras fiscais e contábeis, as empresas só podem operar com o câmbio oficial do governo e acabam perdendo muito dinheiro com isso, ou simplesmente deixam de produzir pois os lucros não cobrem os custos.
Conferência –
Maduro informou que vai comandar ainda nesta quarta uma reunião da Conferência Econômica para a Paz, em que abordará os detalhes de uma nova ofensiva econômica a ser implementada no país. Será, segundo as palavras do presidente venezuelano, "um plano de maior alcance para o crescimento da produção da nova economia, a garantia de abastecimento, satisfação de necessidades e garantia de preços justos", acrescentou.
País com as maiores reservas petroleiras do planeta, a Venezuela atravessa uma severa crise econômica, com uma inflação que em 2013 atingiu 56,2%, um déficit fiscal de entre 15% e 18% do PIB e escassez de produtos básicos, entre outros problemas. Maduro acusa setores ligados à oposição venezuelana e conservadores dos Estados Unidos e Colômbia de promover uma "guerra econômica" contra seu governo.
Maduro costuma responsabilizar a ganância do setor privado como responsável pelos problemas do país. Segundo ele, as empresas ‘trabalham' para elevar a inflação e desestabilizar o regime. O presidente não diz, contudo, que a alta da inflação é provocada pelos altos gastos do governo nos últimos anos — despesas cuja transparência é duvidosa. No ano passado, o presidente venezuelano chegou a obrigar que pelo menos três redes de eletrodomésticos do país reduzissem os preços de seus produtos. Segundo Maduro, os valores dos produtos haviam sido elevados irregularmente.
