quinta-feira, abril 24, 2014

TCU deve fiscalizar contratos de empresa suspeita de pagar propina a ex-diretor da Petrobras

Laryssa Borges
Veja online

Comissão da Câmara aprova pedido para que o Tribunal de Contas da União apure contratos da Astromarítima, suspeita de pagar comissões a Paulo Roberto Costa em troca de negócios com a estatal
(Leo Correa) 
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro 

A comissão externa da Câmara dos Deputados formada para investigar as denúncias de pagamento de propina a funcionários da Petrobras aprovou nesta terça-feira um pedido para que o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalize contratos da estatal com a empresa Astromarítima, suspeita de negociar o pagamento ilegal de comissões ao ex-diretor Paulo Roberto Costa em troca de contratos com a petrolífera. Também será convidado para depor no colegiado o presidente da Astromarítima, Renato Cabral.

Preso na Operação Lava-Jato, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, registrava em planilhas nomes de empresas e políticos que, segundo a suspeita da PF, integravam um esquema de venda de facilidades a companhias com a subsequente distribuição de dinheiro, via caixa dois, a parlamentares. Em uma das anotações, a Polícia Federal encontrou registro de que a Astromarítima Navegação S.A., que assinou com a Petrobras contratos de serviço de fretamento de embarcações, pagaria comissão de 5% do valor bruto do negócio à consultoria de Costa até o limite de 110 milhões e até 50% sobre o montante que ultrapassasse este patamar.

Para a Polícia Federal, as planilhas do ex-diretor são mais uma evidência do esquema operado pelo ex-funcionário da Petrobras em parceria com o doleiro Alberto Youssef, também preso na Operação Lava-Jato. Na contabilidade paralela de Costa, também existem registros de repasses a partidos políticos.

Na reunião da comissão externa nesta terça-feira, foi aprovado ainda um pedido para que o Comitê de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informe se existem movimentações atípicas do empresário Julio Faerman e de suas companhias. Faerman é apontado como o homem-chave para desvendar o escândalo de corrupção que envolve a petroleira. Em uma denúncia feita por um ex-funcionário da companhia holandesa SBM Offshore, ele é citado como o lobista responsável por intermediar pagamentos de propina a funcionários da empresa. Foi aprovado ainda o envio de um ofício ao juiz Sérgio Moro para que ele autorize que a comissão colha depoimento de Costa, preso no Paraná.