Tribuna da Imprensa
Vicente Nunes, Correio Braziliense
O Brasil corre o risco de fechar 2014 com o primeiro deficit comercial em quase uma década e meia. O fato, em si, é preocupante, por contribuir para a maior vulnerabilidade do país a choques externos, pois reduz a quantidade de dólares em circulação na economia. O assustador, contudo, é saber que a forte deterioração da balança comercial não decorre apenas das condições da atividade mundial, que terá, neste ano, o melhor desempenho desde o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, em 2008. As exportações brasileiras estão pagando o alto preço da ineficiência e do excesso de burocracia.
Esse retrato do atraso se evidencia, sobretudo, na questão alfandegária. Conforme pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 84,7% das companhias exportadoras afirmam que o maior entrave para colocar seus produtos no mercado internacional está na Receita Federal. Com profissionais despreparados, mecanismos ultrapassados para monitorar e liberar as cargas e, em alguns casos, corrupção, o Fisco se tornou uma pedra no caminho das empresas, independentemente do tamanho delas, sem que o governo nada faça para reverter esse quadro devastador ao comércio exterior.
Na avaliação dos exportadores, o setor público como um todo só contribui para tirar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Para 60,7% deles, o Departamento de Comércio Exterior (Decex), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, mais complica do que ajuda. Nem mesmo o Banco Central escapa das críticas. Na avaliação de 47,4% dos entrevistados pela CNI, a autoridade monetária se tornou um empecilho aos que querem ampliar os negócios fora do país.
INCOMPETÊNCIA
A lista de ineficiência do governo apontada pelos exportadores é longa. Inclui a Infraero (32,4% dos empresários reclamam da empresa), o Ministério da Agricultura (29,7%), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa (25,7%), os Correios (17,5%) e a Polícia Federal (12,2%), entre outros. A situação é tão crítica, destaca a CNI, que 97,7% das companhias que exportam são obrigadas a contratar despachantes para lidar com a burocracia imposta pelo setor público.
Mesmo com esse quadro dramático, em vez de promover uma revolução no sentido de ampliar a presença do Brasil no comércio mundial, o governo se gaba de o mercado de consumo brasileiro ser um dos 10 maiores do planeta. Não custa lembrar, porém, que o país representa apenas 4% da demanda global. Portanto, cair na armadilha de acreditar que o consumo doméstico é suficiente para garantir ganhos de competitividade e para incrementar a indústria nacional será desastroso.
O Brasil figura como o 22º exportador do mundo, mesmo sendo a sétima economia do planeta. Quando se olha apenas para os produtos manufaturados, de maior valor agregado, passa a ser apenas o 29º. As vendas externas brasileiras representam pouco mais de 1% do total mundial, parcela que cai para 0,7% no caso dos manufaturados. Diante desse cenário, já passou da hora de o governo passar da fase de promessas e agir.
CHEGA DE PROMESSAS
Com deficit comercial de US$ 105 bilhões no ano passado, a indústria se cansou do discurso do Palácio do Planalto. Para o empresariado, nada do que foi prometido pelo governo nos últimos anos com o intuito de incentivar as exportações deu certo. A maior parte dos projetos ficou no papel. E o que saiu foi implantado de forma capenga. Alguém se lembra da política industrial lançada por Lula e remodelada pela presidente Dilma Rousseff? Cadê o plano Brasil Maior?
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O que a sociedade brasileira, em geral, não apenas os exportadores precisam entender é que os tais programas lançados pelos governos petistas nunca tiveram por objetivo melhorar a vida dos brasileiros. Serviram apenas para causar notícia - e melhorar o IBOPE dos governantes -, e depois aparecerem na propaganda eleitoral como uma grande realização. Mais de 90% de tudo o que estes governos lançaram não saiu e continua no papel. Querem exemplo maior do que as obras da Copa do Mundo?
O que a sociedade brasileira, em geral, não apenas os exportadores precisam entender é que os tais programas lançados pelos governos petistas nunca tiveram por objetivo melhorar a vida dos brasileiros. Serviram apenas para causar notícia - e melhorar o IBOPE dos governantes -, e depois aparecerem na propaganda eleitoral como uma grande realização. Mais de 90% de tudo o que estes governos lançaram não saiu e continua no papel. Querem exemplo maior do que as obras da Copa do Mundo?