Ricardo Fróes
Tribuna da Imprensa
Em 2013, o governo destinou 20,6 bilhões de reais para bancar o Bolsa Família a 14,1 milhões de famílias – ou seja: um em cada quatro brasileiros. Pois bem, alguma coisa não bate aí, já que o governo alega termos só 6% de desemprego. Como é que pode?
Na verdade, os 61,3 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais que não trabalham nem procuram ocupação não entram nas estatísticas do desemprego. Ou seja, trata-se de 38,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE (159,1 milhões), ou o equivalente à soma do total de habitantes dos Estados de São Paulo e do Rio.
Mesmo tirando da conta os menores de 18 e os maiores de 60 anos, são 29,8 milhões de pessoas fora da força de trabalho, seja porque desistiram de procurar emprego, seja porque nem tentaram, seja porque são amparados por benefícios sociais.
Portanto, se somarmos esses 61,3 milhões aos 9,5 milhões de “desempregados oficiais”, vamos ter 70,8 milhões de desempregados reais, ou 44,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ricardo Fróes tem toda razão. E esse cálculo do número real de desempregados (70,8 milhões) inclui, é claro, também os subempregados, como camelôs, bóias-frias, entregadores e biscateiros de toda ordem, que para sobreviver se submetem a qualquer trabalho sem registro em carteira. (C.N.)
