sexta-feira, julho 18, 2014

China promete fundos e linhas de crédito de até US$ 35 bilhões à América Latina

Danilo Fariello, Matha Beck e Catarina Alencastro
O Globo

Dilma defende Argentina sobre dívida e diz que levará caso do país vizinho ao G-20

Presidente da China, Xi Jinping

BRASÍLIA - O governo chinês prometeu até US$ 35 bilhões de dólares em recursos de longo prazo para o Brasil e a América Latina em geral, nesta quinta-feira, durante a viagem do presidente Xi Jinping ao país. Além de parcerias e acordos comerciais, a presidente Dilma Rousseff apresentou em entrevista coletiva um pacote de investimentos diretos e linhas de crédito prometidos pelos chineses.

Segundo ela, será criado um fórum de países de América Latina, Caribe e China, cuja primeira reunião deverá ocorrer no próximo ano. Haverá um fundo específico para financiar ações de infraestrutura, chegando a um total de US$ 20 bilhões, mas começando com um capital inicial de US$ 10 bilhões. Esse fundo seria criado imediatamente, para estar pronto no ano que vem, segundo Dilma.

— Algumas medidas foram propostas pelo governo chinês no sentido de aproximar as relações com a América Latina — disse Dilma.

Além disso, os chineses ofereceram uma linha de crédito especial com a Celac, dentro de um banco chinês, podendo chegar a até US$ 10 bilhões. Os chineses propuseram ainda a criação de um fundo de cooperação sino-latino-caribenho no valor de US$ 5 bilhões para investimentos em áreas a serem definidas. Questionada, a presidente não soube dizer o perfil desses projetos financiados por este fundo.

BRASIL LEVARÁ AO G-20 CASO DA DÍVIDA ARGENTINA
A presidente Dilma confirmou nesta quinta-feira que irá levar ao G-20 o caso da dívida argentina porque, segundo ela, a situação do país vizinho mostra que há uma instabilidade grave no sistema financeiro. Para Dilma, o fato de os chamados fundos abutres terem ganhado na Justiça o direito de inviabilizar a renegociação da dívida argentina pode comprometer a situação de outros países que futuramente venham a precisar renegociar suas dívidas soberanas.

— Esse processo criou uma instabilidade nas negociações de dívida soberana. Isso é muito grave. Cria incerteza sobre a estabilidade e segurança jurídica e torna qualquer negociação de dívida soberana imponderável. Quando você cria imponderáveis entre devedores e credores você está contribuindo para desestabilizar o sistema — afirmou a presidente.

Dilma lembrou que o tema da renegociação de dívida soberana foi tratado pelo G-20 em todas as últimas reuniões do grupo. E disse que o Brasil não vai reclamar, e sim apontar o problema.

— Levar para o G-20 não é chegar no G-20 e ficar reclamando, é dizer ‘olha, tem um foco de instabilidade grave no sistema de renegociação de dívidas soberanas’ que, aliás, em 2011, em 2012 e em parte de 2013 foi o tema central das reuniões do G20. Como garantir que as dívidas soberanas não comprometessem, nem explodissem o sistema do Euro. Esse foi o tema. Levar ao G20 é levar ao fórum que tem tratado disso de forma sistemática, séria e que viveu e enfrentou uma série de problemas nos últimos tempos — disse Dilma em entrevista a jornalistas no Palácio do Itamaraty, após encontro da Comunidade de Estados Latino Americanos e Caribenhos (Celac) com o presidente da China.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

É preocupante esta China-dependência que estamos criando. Qualquer soluço do lado de lá, vai respingar muito forte por aqui. O Brasil deveria adotar uma política de maior diversificação de seus parceiros comerciais. Além disso é bom não jogarmos todas nossas esperança de recuperação e crescimento econômico apenas nesta única parceria. Os chineses são muito cautelosos na hora de abrirem o bolso para investimentos.  Se  o ambiente de negócios não lhes for favorável, eles se retraem. E, cá prá nós, o Brasil destes tempos de PT no poder, não é um exemplo de país que trata o investimento privado com carinho. Pelo contrário: cultiva é um enorme preconceito. E, engraçado, até parece que o dinheiro do Estado provém do próprio Estado, e não das pessoas e empresas privadas. 

Além disso, até que o Banco dos BRICS comece a abrir o cofre, vai demorar um pouco. E até que isto aconteça, vamos fazer o quê, ficar parados, de braços cruzados, sem política econômica nenhuma? 

O clima no Brasil de 2014 é de fim de festa (festa petista,  é claro).