quinta-feira, agosto 21, 2014

Berlim vai enviar material bélico aos curdos para frear jihadistas

Veja online
Com informações Agências Reuters e EFE

Na Grã-Bretanha, David Cameron interrompe férias para averiguar suspeita de envolvimento de um cidadão britânico em decapitação de jornalista americano.

 Khalid Mohammed/VEJA 
Iraquianos desabrigados recebem doações de roupas, na Síria 

O governo da Alemanha anunciou nesta quarta-feira que irá enviar material militar ao Iraque para ajudar as forças de segurança curdas a combater o avanço do terrorismo da organização jihadista Estado Islâmico (EI). O ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, e a ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, anunciaram em entrevista coletiva que “nos próximos dias” começarão a enviar equipamentos como coletes a prova de balas, capacetes, óculos de visão noturna e detectores de explosivos e que, dependendo da evolução dos combates, também mandarão armas.

A ajuda humanitária que a Alemanha começou a enviar ao norte do Iraque na semana passada “é importante, mas não é suficiente para conter os terroristas”, disse Steinmeier. O ministro acrescentou que a decisão, tomada durante uma reunião realizada nesta manhã entre ele, Ursula e a chanceler, Angela Merkel, prevê em uma segunda fase o envio de armamento. A Alemanha e a Europa não podem permanecer “indiferentes ao inimaginável sofrimento” dos refugiados no norte do Iraque, que fugiram de seus lares diante do “brutal avanço” de EI, argumentou Steinmeier.

Segundo o ministro, não ajudar a interromper os terroristas sunitas poderia provocar uma expansão incontrolável do “extremismo irracional” pelo Oriente Médio, o que desestabilizaria a região totalmente e teria grandes repercussões para a Europa e Alemanha. “O Estado Islâmico deve ser detido. Não devemos perder tempo”, disse Von der Leyen. O governo alemão tinha permanecido até o momento reticente a ajudar o Iraque com material militar e enviava apenas ajuda humanitária – suprimentos de água, comida e remédio –, mas a posição do Executivo mudou por causa da visita do ministro das Relações Exteriores ao país árabe.

 Reuters 
Iraquianos da minoria religiosa Yazidi fogem à pé em direção a Síria após 
ataques de militantes islâmicos que mataram pelo menos 
500 pessoas que seguem a religião curda e católicos 


Decapitação – 
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, vai interromper as férias e voltar a Londres nesta quarta devido ao vídeo do EI que mostra a decapitação de um homem identificado como um jornalista americano. Seu algoz, um terrorista vestido de roupas pretas que segura uma faca, fala inglês com sotaque britânico, mostram as imagens. "Cameron vai se reunir com o secretário de Exterior, autoridades das secretarias de Interior e Relações Exteriores e das agências de inteligência para discutir a situação no Iraque e na Síria e a ameaça dos terroristas ", disse um comunicado do gabinete do primeiro-ministro.

A Grã-Bretanha disse ainda que vai trabalhar em conjunto com os Estados Unidos para identificar o homem que aparece no vídeo com a faca. "Nossos serviços de inteligência vão observar este vídeo com muita atenção em ambos os lados do Atlântico para estabelecer a autenticidade, tentar identificar o indivíduo envolvido e então vão trabalhar juntos para tentar localizá-lo", disse o secretário de Relações Exteriores, Philip Hammond, à Sky News. Segundo estimativas de especialistas, de cada sete jihadistas do EI, um é estrangeiro. Entre os terroristas, há americanos, britânicos, australianos e pessoas de outras nações que não ficam no Oriente Médio.