Lília Teles
Jornal da Globo
Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia foi acionado pela Justiça.
Ao todo, 14.077 pessoas aguardam para fazer uma cirurgia no hospital.
Temos pacientes que já foram a óbito, pacientes que já tiveram agravada a sua situação de saúde,e outros pacientes em que não há nem mais indicação cirúrgica para a realização"diz Daniel Macedo, defensor público federal
A Defensoria Pública da União, no Rio de Janeiro, entrou com uma ação na Justiça contra a longa espera por cirurgias em um hospital federal, referência no tratamento ortopédico.
Seu José Moreno está há mais de três anos tentando fazer uma cirurgia no joelho e no quadril. Dona santinha também precisa de uma prótese no joelho. Ela sofre de artrose há dois anos.
O sofrimento e o desespero de seu José e de dona Santinha são compartilhados por muita gente. Eles fazem parte de uma lista de espera do INTO (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia).
A quantidade de nomes na lista levou a DPU (Defensoria Pública da União) a solicitar medidas da Justiça. São 14.077 pessoas aguardando por uma cirurgia. Algumas, há dez anos.
“O pedido principal é que todas as cirurgias sejam realizadas no prazo máximo de dois anos”, afirma Daniel Macedo, defensor público federal.
O Jornal da Globo teve acesso ao relatório de pacientes do instituto e mais da metade é de idosos. Na fila para uma cirurgia de quadril, há uma pessoa com 103 anos de idade e outra, de 94 anos, espera desde 2006 por uma correção de um problema na coluna.
No fim do ano passado, longas filas de pacientes se formaram na porta do instituto, à espera de uma senha para consulta. Na época, foi suspensa a marcação no próprio hospital e o sistema passou a ser informatizado. Mas a espera não acabou.
O vice-diretor diz que o maior problema é a falta de pessoal, e que o INTO vai precisar da ajuda de outros hospitais para conseguir fazer as cirurgias em dois anos. Uma esperança para os milhares de pacientes como dona Santinha.
"Nós temos que avaliar esses prazos, mas, no que depender do INTO, isso é viável de ser feito", afirma Nelson Cavanellas, vice-diretor do INTO.
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